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segunda-feira, 23 de março de 2009

EDUCAÇÃO PÚBLICA COMPULSÓRIA - I.

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Foto do senador CRISTOVAM BUARQUE no plenário do senado.
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O senador CRISTOVAM BUARQUE propôs um projeto de lei no Senado Federal onde pretende obrigar todos aqueles que exercem cargo público eletivo a matricular seus filhos e dependentes em escolas públicas até 2014. O projeto de lei está registrado sob o número 480 e foi apresentado em 16/08/2007.
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A tramitação do projeto em 29/05/2008 encontra-se na CCJ - Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. A situação: PRONTA PARA A PAUTA NA COMISSÃO. Mas foi devolvido pelo Senador ANTONIO CARLOS VALADARES, com apresentação de Requerimento de realização de Audiência Pública para instrução da matéria. Conforme consta do sítio do Senado Federal.
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Abaixo transcrevo o PL 480/2007 para que os leitores tomem conhecimento de forma mais direta e possam avaliar o que pretende o senador e quais as consequências para a escola pública brasileira. Irão, os que exercem cargos públicos eletivos, se em lei se transformar o projeto, seguir aquilo que é compulsoriamente imposto a eles? Eu tenho uma posição. Depois a postarei.
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PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 480 , DE 2007.
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Determina a obrigatoriedade de os agentes públicos eleitos matricularem seus filhos e demais dependentes em escolas públicas até 2014.
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O CONGRESSO NACIONAL decreta:
Art. 1º Os agentes públicos eleitos para os Poderes Executivo e Legislativo federais, estaduais, municipais e do Distrito Federal são obrigados a matricular seus filhos e demais dependentes em escolas públicas de educação básica.
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Art. 2º Esta Lei deverá estar em vigor em todo o Brasil até, no máximo, 1º de janeiro de 2014.
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Parágrafo Único. As Câmaras de Vereadores e Assembléias Legislativas Estaduais poderão antecipar este prazo para suas unidades respectivas.
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JUSTIFICAÇÃO:
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No Brasil, os filhos dos dirigentes políticos estudam a educação básica em escolas privadas. Isto mostra, em primeiro lugar, a má qualidade da escola pública brasileira, e, em segundo lugar, o descaso dos dirigentes para com o ensino público.
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Talvez não haja maior prova do desapreço para com a educação das crianças do povo, do que ter os filhos dos dirigentes brasileiros, salvo raras exceções, estudando em escolas privadas. Esta é uma forma de corrupção discreta da elite dirigente que, ao invés de resolver os problemas nacionais, busca proteger-se contra as tragédias do povo, criando privilégios.
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Além de deixarem as escolas públicas abandonadas, ao se ampararem nas escolas privadas, as autoridades brasileiras criaram a possibilidade de se beneficiarem de descontos no Imposto de Renda para financiar os custos da educação privada de seus filhos.
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Pode-se estimar que os 64.810 ocupantes de cargos eleitorais – vereadores, prefeitos e vice-prefeitos, deputados estaduais, federais, senadores e seus suplentes, governadores e vice-governadores, Presidente e Vice-Presidente da República – deduzam um valor total de mais de 150 milhões de reais nas suas respectivas declarações de imposto de renda, com o fim de financiar a escola privada de seus filhos alcançando a dedução de R$ 2.373,84 inclusive no exterior. Considerando apenas um dependente por ocupante de cargo eleitoras.
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O presente Projeto de Lei permitirá que se alcance, entre outros, os seguintes objetivos:
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a) ético: comprometerá o representante do povo com a escola que atende ao povo;
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b) político: certamente provocará um maior interesse das autoridades para com a educação pública com a conseqüente melhoria da qualidade dessas escolas.
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c) financeiro: evitará a “evasão legal” de mais de 12 milhões de reais por mês, o que aumentaria a disponibilidade de recursos fiscais à disposição do setor público, inclusive para a educação;
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d) estratégica: os governantes sentirão diretamente a urgência de, em sete anos, desenvolver a qualidade da educação pública no Brasil.
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Se esta proposta tivesse sido adotada no momento da Proclamação da República, como um gesto republicano, a realidade social brasileira seria hoje completamente diferente. Entretanto, a tradição de 118 anos de uma República que separa as massas e a elite, uma sem direitos e a outra com privilégios, não permite a implementação imediata desta decisão. Ficou escolhido por isto o ano de 2014, quando a República estará completando 125 anos de sua proclamação. É um prazo muito longo desde 1889, mas suficiente para que as escolas públicas brasileiras tenham a qualidade que a elite dirigente exige para a escola de seus filhos.
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Seria injustificado, depois de tanto tempo, que o Brasil ainda tivesse duas educações – uma para os filhos de seus dirigentes e outra para os filhos do povo –, como nos mais antigos sistemas monárquicos, onde a educação era reservada para os nobres.
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Diante do exposto, solicitamos o apoio dos ilustres colegas para a aprovação deste projeto.
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Sala das Sessões,
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Senador CRISTOVAM BUARQUE
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