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sexta-feira, 31 de julho de 2009

FORMATURA.

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Será amanhã o baile de formatura da primeira turma de Pedagogia do Instituto Superior de Educação São Judas Tadeu, que funciona lá no Nobel. Recebi o convite do formando HÉLIO AVELINO CARDOSO. Irei lá rever ex-alunos e aproveitar a festa, é claro.
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quarta-feira, 29 de julho de 2009

HÁ CONTROVÉRSIA.

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Como é? A raçãozinha aí está atrasada, é?
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De uma hora para outra apertei a tecla que impede os leitores de comentar as postagens aqui do Blogue. Fui questionado por isso pessoalmente e por emeio. A minha justificativa é decorrente do hábito bastante comum de Joelistas de Aluguel me enviarem comentários cheios de palavrões e outras coisas mais de que ele são capazes de dizer talvez irados pelo fato da raçãozinha está atrasada. E aí os energúmenos vêm descontar em mim.
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Mas com isso não renunciei de jeito nenhum ao debate acerca dos enunciados que fazem parte de minha ideologia e os utilizo para expressar o que penso. Tanto é verdade que já restabeleci a interação com os leitores no estilo que PIERRE LEVY chama de Mensagem Participativa.
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Alguns enunciados que utilizo são controversos, outros são menos. Citarei três deles, apenas, para demonstração: 1, o exercício do poder tem que ser feito a partir de imperativos éticos; 2, o poder tem que ser exercido com impessoalidade; 3, o caminho para chegar ao poder tem que ser definido pelo grupo político através de uma ideologia.
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Filósofos pragmatistas afirmam que o grau de controvérsias sobre um enunciado não é suficiente para descartá-los, no meu caso é certeza e isso não me torna dogmático, pois há razões mais fortes para mantê-los, tais como: a coerência dos enunciados com as demais coisas em que acredito; e a utilidade deles para me possibilitar chegar aos objetivos por mim definidos (PAULO GHIRALDELLI JR).
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No primeiro enunciado as controvérsias vêm desde MAQUIAVEL quando afirmou que na política se age de modo separado do modo como se age na sociedade. O que ele pregou foi a separação de critérios: na ação social usa-se critérios morais, na ação política procura-se atingir as finalidades práticas, os resultados, não importando os meios utilizados.
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Com isso houve relativismo grosseiro de sua máxima, e aí os conselhos para o Príncipe re-unir a sua Itália que estava esfacelada por brigas internas, é e continua sendo utilizado por ladrões dos cofres públicos para atingir objetivos estritamente pessoais, restritos.
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Mas não invalida meu primeiro enunciado porque é uma falsa controvérsia. O poder tem que ser exercido eticamente, sim, mesmo que alguns intelectuais tenham se esforçado muito para justificar os descasos, ou que outros aleguem não entender muito bem como funciona o poder. Não sou cristão e nem kantiano, mas este é um imperativo inescapável.
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Já o segundo enunciado é do tipo mais controverso e ao mesmo tempo mais discutível, ou seja, é uma verdade, porém menos imperativa. E até concordo. Se “o ser humano é um ser para a morte”, como suportar a brevidade da existência sem postular a eternidade? SARTRE disse que podemos nos tornar imortais através da ação política.
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Alguns distorcem o fundamento e utilizam a política para se eternizar, pois afirmam que não se faz política sem se eternizar nas ações e decisões como meio de fugir da brevidade existencial. Se não há vida após a morte (SARTRE) - e portanto não há imortalidade da alma -, então os “políticos” usam as suas administrações para dar aos prédios públicos nomes de parentes e os seus próprios. É o meio chulo de se eternizar, pessoalizando a política. Nesse aspecto incluo o nepotismo e o patrimonialismo também. Concordo com o que disse SARTRE sobre a imortalização através da ação política, é claro, e não com a controvérsia acima.
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No terceiro enunciado as controvérsias se fazem mais fortes. Aqui as alegações são mais determinantes porque dificilmente um grupo só consegue ascender ao poder. Ao se fazer coligações há que se reservar espaço para as várias ideologias se manifestarem autonomamente, dizem.
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O contradito disso é que uma coligação desse tipo só prospera se as ideologias tiverem mais coisa em comum do que o simples fato da chegada ao poder. Caso contrário as primeiras ações demonstrarão a impossibilidade de continuidade da coligação. A afinidade ideológica é o aspecto fundamental e prático dos objetivos da coligação. Sem isso não dará certo.
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Do modo como mantenho os meus princípios, sempre em processo de auto-avaliação, estou além do rótulo de dogmático e me concentro nas coisas que desejo de melhor para a pólis: 1, lutar contra a injustiça, a desonestidade, a indignidade; 2, e lutar junto àqueles que se identificam com propósitos justos, honestos e dignos para torná-los reais, concretos em nossa cidade.
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As controvérsias não se resolvem aceitando os meus enunciados, mas porque tenho convicção que não concordo com a deterioração moral resultante do modo como se exerce o poder em nossa cidade. E isso me faz perceber que tenho de lutar para que as coisas mudem, para tornar isso tudo que está aí estabelecido coisa do passado e que seja reconhecido historicamente sempre com um nome: TRAGÉDIA.
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Se viver é agir buscando a transformação “daquilo que é naquilo que deve ser” para que nos tornemos melhor como ambiente e pessoa, então busco melhorar a nossa pólis me melhorando também. Então, enquanto busco me tornar melhor transformando o meio em que vivo, um monte de Joelistas de Aluguel, que vive preso ao imediato, ao passado, sob o comando da Alma Concupiscente (PLATÃO), não quer que eu me expresse. No entanto, “Eles passarão.../ Eu passarinho!!! (MÁRIO QUINATANA).
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P.S.: Joelistas de Aluguel foi uma definição cunhada por mim logo no início da primeira administração do prefeito JOREL àqueles que são pagos por ele só para passar o dia nos meios de comunicação fazendo louvação a ele e detratando os adversários sem a mínima preocupação na elaboração do que dizem. Eles falam qualquer bobagem que lhes vem à cabeça, agora não sei imitando quem.
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CADÊ O RESULTADO???

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Algumas pessoas têm me perguntado pelo resultado do Inquérito Administrativo que o prefeito anunciou na TV que tinha aberto para esclarecer à população quem realmente "roubou" o boneco JOREL BURACÃO lá na Avenida Dirceu Arcoverde. Até agora ninguém disse nada. Tá todo mundo calado, se fingindo de morto pra vê se as pessoas esquecem. Cadê, hein??? Cadê o resultado, quem "roubou" o boneco???
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segunda-feira, 27 de julho de 2009

MARCHA X MARCHA.

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Quantos cristãos estariam dispostos a “marchar” contra a corrupção como forma de marchar para Jesus? Marchar para Jesus é completamente outra coisa? Jesus não pregava justiça? O que é ser justo, é apenas se apegar ao aspecto puramente metafísico da crença deixando completamente de lado o aspecto físico? Jesus disse que um dia voltará para julgar a todos. Aquele que fecha os olhos para os corruptos estabelecerem a injustiça social e econômica estará pronto para o julgamento final? Terá vivido de acordo com todos os imperativos da moral cristã?
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Marchar para Jesus significa abrir mão da cidadania? Significa esquecer as injustiças para ter um patrocioniozinho para a causa? Quanto se gastou em patrocínio, foi o mesmo montante que daria para fazer uma casa popular? Não? Daria para calçar aquelas ruas que vivem esquecidas? Não? Daria para iluminar as inúmeras ruas que vivem as escuras? Não? E as incontáveis que vivem sujas, esburacadas? Não? Daria para terminar as obras que estão abandonadas?
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Jesus estaria satisfeito ao ver seu povo em festa à custa de prioridades equivocadas? Jesus estaria no meio da marcha – ou como sugere o nome, lá no final – vendo parte do seu povo se divertindo enquanto outros tantos não têm motivos para ser feliz? Se você responder que sim vou propor uma antinomia: Ou Jesus não teve propósitos lá muito dignos, ou você não entendeu nada do que Ele quer que você faça para estar com ele.
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Prefiro acreditar no Jesus histórico (RORTY) com sua pregação de justiça e contra os desonestos, corruptos, enganadores, aproveitadores do que num monte de gente festiva que parece não está nem um pouco preocupada com o sofrimento do próximo. E olha que sou agnóstico, mas prefiro Jesus Cristo.
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Isto significa que uma marcha contra a corrupção contém mais os desejos de Jesus do que uma marcha repleta de simbolismos pagãos transmutados verbalmente, apenas, em luta pela evangelização.
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Jesus viveu numa época cheia de manifestações religiosas (plenamente estabelecidas) completamente diferentes e contrárias a sua, mas ele não agiu como as demais religiões, ou imitando-as para conseguir convencer os outros que a sua era a verdadeira religião. Pelo contrário, ele fincou o pé na sua liturgia, seus valores, seus objetivos e só assim Ele se impôs e transformou o mundo ocidental.
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Será que os evangélicos, que pregam seguir mais fielmente a religião de Jesus contra aqueles que a teriam desvirtuado, não estariam agindo como os outros ao fazerem muito do que eles fazem, mesmo dizendo que não é igual?
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O “arrastão” é emburrecedor, é uma manifestação inconteste de alienação social e política – como me disse certa vez um professor de História lá do PREMEN: “Antigamente tocavam boiada com berrante, hoje é com trio elétrico”. – é exatamente o que deseja o prefeito e não o que deseja Jesus (pelo menos quando se ler o que ele disse).
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O prefeito deseja tirar a sua imagem da lama (a população o elegeu o 4º pior prefeito do Piauí – Instituto Data AZ) e canalizar o poder manifestamente contestador daqueles que lá vão para uma atividade tolhedora da razão crítica oferecendo aquilo que necessitam aquelas pessoas (só que em nível elevado), diversão cultural, e de “graça”.
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Nada é de graça, pois são eles mesmos que pagam para o prefeito se passar por bonzinho. Aí reside uma demonstração inquestionável de alienação política. O valor que o prefeito paga pelos “arrastões” é muito superior ao que os mesmos “arroz de festa” cobram para se apresentarem normalmente sob a fraca alegação de que nestes eventos se justifica o preço majorado porque é carnaval. Essa parceria vai longe, mais longe do que os olhos de quem deveria fiscalizar podem ver.
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Jesus era destemido e lutou contra as injustiças , mas a tática dele foi o enfrentamento. Ele não temeu e nem se aliou aos injustos, Ele continuou afirmando os seus valores como entendia que deveria fazer, mesmo sendo perseguido, torturado e morto, mas foi assim que construiu uma grande religião.
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Acredito que a luta dos evangélicos deve se dá no âmbito da justiça; da honestidade; do trabalho como meio de se buscar a riqueza; da dignidade; da solidariedade. Viver de acordo com esses valores é lutar contra os opostos, e essa luta será vitoriosa se for ao lado de todos os valentes.
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Caso contrário, quando chegar a hora do julgamento final diz-se que a escolha será pelos que seguiram o Julgador. Quem não sabe de que lado está, se acredita no julgamento, sofrerá as consequências, pois não convencerá o Julgador que mesmo sendo contra as injustiças sempre estivera ao lado do injusto.
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Como não creio que haverá julgamento final por um ente metafísico, luto contra o injusto para que ele seja acusado, julgado, condenado e preso pelas autoridades constituídas entre nós mesmo. Se não ocorrer aqui e agora (o julgamento) entre nós humanos o crime terá valido a pena.
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No caso de Jesus os seus julgadores o acusaram , o condenaram e o mataram. Na dimensão religiosa, no final de tudo, quem venceu foi Jesus. Ele foi justo, honesto e digno, porém morreu lutando. Já entre nós os injustos, desonestos e indignos zombam de nossa cara livres de julgamentos. Que mundo esquisito, hein Jesus? Pelo que está escrito, sorte a Sua de não ter mais que conviver com tudo isso. E para aguentar, ao que se depreende, só se tornando um alienado e sair atrás do trio elétrico, ou fazer como Jesus: ir viver noutro mundo.
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PARA PAIS DE VERDADE.

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Um texto para reflexão sobre nossos conceitos e pré-conceitos. O autor é o Filósofo PAULO GHIRALDELLI JR, para o dia dos pais.
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OS GAYS E OS SEUS PAIS
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Para o Flavinho, amigo da Fran, portanto, meu amigo
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Em uma lista de professores da internet, com o título “professor público”, um rapaz colocou a notícia de um pedido à Justiça, feito no Estado de Minas Gerais, para que travestis (ou qualquer outra pessoa em condição similar) possam ser tratados na escola pelos seus “nomes sociais”, e não pelos nomes de registro. A idéia é simples e justa: ninguém que é conhecido por “Valéria” quer ser chamado de “Francisco”, ninguém que é visto como “João” gosta de ser tratado por “Maria”. O “nome social” é o nome adotado por uma pessoa, e deve ser respeitado. É como o caso do Presidente da República que, para não ser confundido na cédula, alterou seu nome, colocando o “Lula” no interior do “Luis Ignácio da Silva”. O Presidente fez isso de maneira legal. Mas, no caso de travestis e pessoas em condições similares, muitas vezes a possibilidade de trocar de nome não se faz presente, e a situação escolar já os constrange antes disso.
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O triste da história foi ver que na mesma lista, uma pessoa que se autodenominou professor, avaliou o pedido à Justiça (ao qual me referi) como “pura sem-vergonhice”, afirmando que “homem tem que ser homem e mulher tem que ser mulher”. Não perguntei para a tal pessoa o que era “ser homem” e o que era “ser mulher”, pois o que viria dela, tenho certeza, não seria útil para ninguém. No entanto, a forma com que tal pessoa se comportou, trazendo à tona um jargão que só ouço na boca de extremistas de direita (não raro, sempre querendo se passar por liberais), trouxe minha digitação para um campo que, agora, no mês de agosto, é um tema da mídia: dia dos pais. O que tem a ver uma coisa com outra? Ah! Muito!
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Fruto da escola pública dos anos 50 que, enfim, chegou viva até meados dos anos 60, eu nunca passei pela experiência de olhar para o lado e, então, encontrar um coleguinha chamado Mário maquiado com o batom da Valquíria. Todavia, quem disse que isso não é a realidade de hoje? Tiramos a homossexualidade da condição de “doença”. Fizemos da preferência sexual e, junto com ela, a opção pela identidade social geral, uma questão de decisão individual. Chegamos, inclusive, a promover leis de proteção a tais opções, como extensão básica de direitos liberais em uma sociedade democrática. Temos caminhado duramente nisso tudo. Ao mesmo tempo, temos contado com o apoio de toda a plêiade de grupos que se encaixam no guarda-chuva do título das paradas do “Gay Proud”, no sentido de não deixar com que essa luta se torne algo vingativo e “sem espírito”. Assim, em termos apropriados, quando do tempo do filme “Filadélfia” tínhamos de nos conter e não usar a expressão “bicha louca”. Mas, já nos tempos em que estamos vivendo, o do “Breakfast in Pluto”, qualquer amigo homossexual com quem converso usa a expressão “bicha louca” sem achar ofensivo. O movimento gay fez mais que outros movimentos sociais neste aspecto semântico: conseguiu vitórias sem precisar, com isso, vestir terno e gravata, perder o “espírito”. Nesse sentido, o movimento gay tem muito a ensinar ao movimento negro e ao movimento feminista, com certeza!
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O que tem a ensinar? Simples: é preciso ser inteligente, para tudo, e por isso mesmo, antes de qualquer decisão é necessário não deixar de lado a observação dos detalhes. Nem toda expressão é, por si mesma, pejorativa ou elogiosa. A língua se faz no contexto. Ela é contexto, nada além. Por isso, a questão do “nome social”, uma vez tendo estabelecido o contexto, é uma questão válida. Ora, mas a questão desse nome social ser algo que foi pedido para ser adotado na escola trouxe aqui o meu tema, o da questão dos pais.
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Os gays não são gays adultos. O grande drama de quem tem identidade social de minoria não é confeccionado na vida adulta e sim quando essa identidade não se configurou plenamente. É nessa hora que o problema realmente é um problema. É nessa hora que o massacre da maioria atinge a minoria. Caso nosso desejo seja o de viver na democracia, temos de entender que democracia não é o regime da vontade da maioria. A democracia é o regime das decisões da maioria e do respeito aos direitos básicos – de expressão, de ir e vir, de moradia, de identidade etc. – das minorias. Então, é na hora do início da construção da identidade social de cada indivíduo que a situação é difícil – para todos nós. Ora, para quem vai assumir identidade de minoria, mais difícil ainda.
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Uma boa parte dos gays que conheço tentou alguma forma de suicídio na adolescência. Uma parte dos que levaram adiante isso, o fizeram já na idade adulta. O que determinou isso? Na maioria dos casos, a gota d’água foi a relação endurecida com o pai. No mês de agosto, em que comemoramos o Dia dos Pais, deveríamos de começar a pensar em uma revolução quanto ao que é ser pai ou não.
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O que é necessário para ser pai? Ser pai é, antes de tudo, ser alguém aberto ao cosmos. Para ser pai é fundamental ter a consciência de que não se é um deus. O que um pai mais deseja? A felicidade do filho? Não, infelizmente, os pais são poços de egoísmo disfarçados de boas intenções e de capas e capas de altruísmo. O que os pais querem é plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho, contanto que a árvore seja regada pelo filho, o livro seja a história de quanto o filho é a cara do pai e, por fim, que o filho seja tudo que o pai não foi, mas que gostaria de ter sido. Essa projeção mata a sociedade. A pessoa que quer ser pai deveria, antes de ter filhos, olhar para o espelho e falar: não sou deus, portanto, o que vier como filho, não poderá ser alterado por mim, e terei de não só aceitar, mas amar. Quem não está preparado para tal, não deve ter filhos. Infelizmente, ninguém olha para esse espelho.
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Boa parte dos pais se modifica no decorrer dos anos. Aos poucos, vários percebem que o “Édipo” era um brincadeira séria do Freud, que o filho é uma pessoa singular, que precisa seguir um caminho único, dele próprio. Ninguém quer um filho no caminho do crime. Dizem alguns que nem mesmo os criminosos que se orgulham do crime querem isso. Mas, até nessa situação extrema, uma boa parte dos pais aprende a amar os filhos. Uma parte dos pais começa a perceber, às vezes tardiamente, que na diferença dos filhos, eles são muito iguais aos pais.
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O filho ou a filha “gay” não deveria ser amado ou amada “apesar de gay”. Está na hora de invertermos a seta e amarmos os filhos pelo desempenho social que eles prometem em favor de nossa utopia de uma sociedade em que seremos “versões melhores de nós mesmos”. Veja, não estou pedindo amor incondicional. Estou pedindo bem menos! Sendo assim, imagino que na hora em que um filho ou filha se põe na defesa de sua identidade social, isso pode e deve ser um orgulho para o pai. O verdadeiro pai é aquele que consegue dar um passo além de sua própria pele semântica e, então, ver que seu filho, ao “sair do armário” e se redescrever como gay, antes de tudo, é uma pessoa de coragem. Mesmo nos tempos atuais, uma pessoa assim ainda é uma pessoa de coragem – e muito! Pois, por mais que existam leis contra a homofobia, quando alguém se redescreve como gay e, então, põe no jogo social uma nova semântica em relação a si mesma, o que se está dizendo ao mundo é um recado filosófico: eu sou suficientemente inteligente e corajoso para abraçar a contingência. Nos termos de Nietzsche: eu sou aquele que vive o amor fati.
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A noção de amor fati, em Nietzsche, está longe de ser a “resignação” de Max Weber. Amor fati é amor aos fatos, amor ao destino. Não se ama o destino aceitando-o. Não se ama os fatos tomando-os como pedras na cabeça atiradas por Saturno. O amor, neste caso, é o amor de poder viver e, então, passar pelas experiências que só os vivos passam. Uma vez gay, viver isso é uma experiência fantástica. Mas, é algo de coragem, pois se o desconhecido se abre: o que acontecerá comigo? Serei menosprezado? Terei dificuldades na escola e no emprego? E meu pai? Sim, são essas as questões que o adolescente enfrenta. Principalmente esta: e meu pai? Diferente de outro adolescente, que vai cumprir seu “Édipo” em “em CNPT”, o adolescente gay sabe, muito bem, que ele pode sucumbir. Ela sabe que poderá não suportar e, então, em dado momento, terminar como outros seus colegas, no suicídio.
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O pai deveria ser o primeiro a jamais deixar isso ocorrer. O pai dá a vida através do espermatozóide, deveria, então, mantê-la. Não deveria tirá-la. Vi pais vindos da zona rural, completamente brutalizados pela vida, terem orgulho de seus filhos gays. Vi pais urbanos, escolarizados, colocar sob tortura e morte um filho gay. Está na hora de uma revolução na idéia de ser pai, para além da conversa de “pagar pensão”. Deveríamos, a partir deste agosto de 2009, ver o quanto temos a coragem de participar da revolução semântica de um filho nosso que adotou uma nova identidade social. Deveríamos começar a entender aquilo que Stan Lee tentou ensinar com “X Men”. Será que nem histórias em quadrinhos conseguimos entender? Será que sempre seremos pais pouco inteligentes – e covardes?
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Por: PAULO GHIRALDELLI JR.
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ELE É O CARA.

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Ele é natural de Colinas-MA. Aluno do Instituto Federal - Campus Floriano. Está nos esteites fazendo um curso de Inglês e me enviou fotos. Pense num cara em que aposto que terá um futuro e tanto. Abaixo e-mail dele para mim.
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Olá professor Jair, é o seguinte:
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O nome da cidade que estou é Andover-Massachusetts!
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Eu sai de floriano dia 28 e cheguei aqui dia 30 de junho.
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-O nome do programa é Bolsas de Estudos para Curso de Verão nos Estados Unidos.
-Para concorrer a essas bolsas você deve participar do programa Jovens Embaixadores e ainda estar cursando o Ensino Médio;
-Os alunos que possuíam esses pré-requisitos, passaram por uma prova escrita, de caráter eliminatório via internet;
-Somente cinco alunos foram selecionados para participar da prova oral, via telefone.
- Fizemos a prova oral por telefone e esperamos pelos resultados.
- Foram 3 bolsas de cursos de verão;
- Fui selecionado para participar da terceira bolsa( Phillips Academy- Academia Phillips) e a seleção ocorreu após fazer outra prova escrita que foi uma dissertação em inglês respondendo a algumas perguntas.
- O curso de verão vai de 29/06/09 à 05/08/09
- Aqui irei fazer dois cursos de inglês 1- Inglês como segunda Língua 2- Preparação para o TOEFL( um dos teste para tentar entrar em uma universidade americana), e terei aulas de educação física a tarde.
- Ficarei hospedado no próprio campus da escola que possui alojamento, refeitório, enfermaria, tudo...
- O objetivo maior desses cursos de inglês é uma preparação para melhorar o meu inglês para quem sabe num futuro próximo fazer as provas para tentar uma universidade americana.
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Para outras informações fique a vontade para contactar-me.
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Muito Obrigado pela atenção!!!
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Um grande Abraço!!!!!!!!
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Ranniery Franklin Ribeiro
Youth Ambassador 2008
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sábado, 25 de julho de 2009

O LICEU.

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Ilustração de ARISTÓTELES ensinando ALEXANDRE, O Grande.

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Sábado, 9 de Maio de 2009
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Liceu de Aristóteles será «parque arqueológico» aberto ao público
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O sítio onde se encontram os vestígios do Liceu de Aristóteles, descobertos em 1996 no centro de Atenas, será em breve um parque arqueológico aberto ao público, anunciou quarta-feira o ministro grego da Cultura, Antonis Samaras.
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O projecto urbanístico prevê a colocação de um grande abrigo de vidro e aço de doze metros de altura, num meio hectare que vai cobrir a palestra do ginásio do Liceu fundado por Aristóteles em 335 antes da nossa era.
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O financiamento do projecto avaliado em 4,5 milhões de euros será garantido pela sociedade semi-pública e jogos e apostas Opap, acrescentou o ministro antes de uma conferência de imprensa.
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Para nós, trata-se de mostrar ao mundo o berço do pensamento lógico", declarou o presidente de Opap, Christos Hatziemmanouil.
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"O Liceu de Arsitóteles e a Academia de Platão são as primeiras universidades do mundo", acrescentou Samaras.
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Os estudos de arquitectura do abrigo foram realizados em 2000 e aprovados dois anos mais tarde pelo conselho superior de arqueologia antes de cair no esquecimento. Os trabalhos deverão começar em Janeiro de 2010 e durar cerca de um ano.
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O projecto comporta também a unificação da estação arqueológica com o parque do museu bizantino e o espaço do clube dos oficiais que estão próximos. No total, este "novo parque arqueológico" estender-se-á por 3,6 hectares, a cerca de algumas centenas de metros do Parlamento, no centro da capital.
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Foi durante os trabalhos de limpeza de um terreno destinado à partida a erigir um museu de arte moderna que as escavadoras puseram á luz do dia os vestígios do famoso Liceu que os arqueólogos procuravam há séculos.
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É depois do assassínio de Filipe de Macedónia que Aristóteles regressa a Atenas e funda o Liceu, uma das três grandes escolas filosóficas da antiguidade grega.
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Fonte: (30 Abr 2009). Lusa/SOL:http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=133597
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FRASES.

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"Os cínicos relativizam os valores e os tratam apenas como meios de atingir seus objetivos. Os estadistas baseiam suas decisões práticas em convicções morais" (HENRY KINSSINGER).
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"Não tentes ser bem sucedido, tenta antes ser um homem de valor." (ALBERT EINSTEIN).
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Sobre "crítica positiva" disse o Filósofo PAULO GHIRALDELLI JR: "É uma forma da pessoa dizer que vai fazer uma crítica, parecer crítico e, no entanto, ser apenas um puxa saco a mais."
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sexta-feira, 24 de julho de 2009

CANDIDATO???

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Foto de GILBERTO JÚNIOR.
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Há cerca de um mês começou a circular entre políticos de oposição ao prefeito JOREL uma proposição ao possível embate dessas forças políticas em 2010. Algumas pessoas estão propondo o nome de GILBERTO JÚNIOR para concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa em Teresina. Outros membros da oposição não concordam.
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JOREL até agora não definiu irrevogavelmente um nome para a disputa. O nome do grupo era o do Secretário de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico, VALÉRIO CARVALHO (PTB), mas este se afastou politicamente do prefeito e o mesmo procura, agora, um novo nome. Os possíveis candidatos são (segundo me disse uma fonte ligada ao prefeito): o próprio JOREL, o vice-prefeito OSCAR PROCÓPIO, o vereador LAURO CÉSAR, e como última alternativa o irmão do prefeito que é Secretário Particular do Prefeito, aquele do “roubo” do boneco.
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O prefeito não está propenso a sair candidato. A fonte me disse que ele só sai se GILBERTO JÚNIOR for a escolha do grupo de oposição. OSCAR PROCÓPIO e LAURO CÉSAR terão o apoio de JOREL se viabilizarem adequadamente as suas pré-candidaturas. Isto quer dizer principalmente que terão de mostrar as cidades que concentrarão as campanhas, apoios de candidatos a deputado federal, senador, governador, pois o prefeito disse que não vai arriscar o seu “prestígio” numa campanha de faz de conta. O seu irmão só irá ser candidato se não houver, de acordo com as possíveis alianças majoritárias, nenhum acordo dentro do grupo sobre um nome de outra região.
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Quanto a GILBERTO JÚNIOR os argumentos utilizados pelos que desejam a sua candidatura são poucos consistentes. Segundo os defensores dessa tese, ele tem que ser candidato para manter o seu nome em evidência. No entanto, ele nunca foi candidato a deputado estadual e obteve uma votação excelente na última campanha a prefeito.
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Dizem também que a campanha ajudaria a mudar o seu jeito pessoal de ser e fazer política. O argumento se baseia no modelo populista, tradicional, manipulador, enganador que representa o prefeito JOREL. Mas é por ser tudo o que JOREL não é que GILBERTO JÚNIOR tem sido a aposta de um número expressivo de eleitores para a prefeitura de Floriano. JOREL é o maior exemplo de tudo o que um CIDADÃO rejeita num político.
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GILBERTO JÚNIOR tem a sua personalidade, suas características, sua formação profissional, sua inteligência, seu caráter. Tudo isto o torna completamente outra pessoa. Querer que ele seja e aja como JOREL é negar a sua identidade e transformá-lo em mais um representante da malandragem política instituída hoje em Floriano.
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O que se comenta é que um pretenso candidato a deputado estadual tem que ter, no mínimo, R$ 500.000,00 para iniciar a campanha do ano que vem (isto se as regras não forem modificadas). E pela declaração de bens à justiça eleitoral do ano passado GILBERTO JÚNIOR não dispõe de tanto dinheiro. Mesmo que ele não vá gastar dinheiro seu, quem bancaria a campanha? De resto fica a pergunta: vale a pena ser candidato só para concorrer? Só para sair na TV?
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Pelo que sei, ele e seus familiares são contra essa proposição. Como não é consenso no grupo penso que ele não deve ser candidato, até porque não criaria a imagem do político cego por poder que não deixa escapar uma única oportunidade de ser candidato. Este tipo de político vem se desgastando a cada eleição que passa. Há exemplos.
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Agora o que não pode é a oposição deixar JOREL e seu candidato, seja ele próprio ou outro qualquer, fazer a campanha sem opositor. O debate contínuo fará surgir um nome que deveremos apoiar em 2010, seja de nossa cidade, ou um nome comprometido com as necessidades da cidade.
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P.S. Uma perguntinha só: Se MARCELO CASTRO for mesmo o candidato do PMDB a governador, o Diretório Municipal do partido irá apoiá-lo incondicionalmente? Sim, porque na campanha para prefeito do ano passado ele foi um dos principais culpados pela reeleição de JOREL contra GILBERTO JÚNIOR.
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AMPLIAÇÃO DO IFPI - FLORIANO.

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Foto do IFPI - Floriano do fotógrafo WALTER MOTA (o terceiro carro, daqui pra lá, é mais conhecido que farinha).
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O Insituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia- IFPI através do Reitor professor F. C. SANTANA e do seu Diretor DARLEY FIÁCRIO conseguiram uma verba no valor de R$ 2.700.000,00 a ser aplicada no campus de Floriano. O cronograma é de aplicação parcelada sendo dividido em R$ 900.000,00 nos anos de 2009, 2010 e 2011. A primeira parcela está sendo aplicada da reconstrução da quadra, muro no entorno do prédio e mais algumas obras.
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O restante da verba é principalmente para construção de mais blocos para funcionamento de mais salas de aulas e laboratórios. Para que isso seja possível se faz necessário que a prefeitura de Floriano entre como parceira neste grande projeto. A participação da prefeitura seria na doação do terreno ao lado do prédio do Instituto para poder ser ampliado.
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O Ministério da Educação não compra terrenos para construção ou ampliação de unidades dos Institutos, por isso é fundamental que o prefeito se interesse pelo projeto. De outro modo, parte do dinheiro até que poderia ser utilizado para compra do terreno, mas o MEC não autoriza.
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Um projeto desse porte que trará mais investimento em dinheiro para a nossa cidade, investimento em educação, formação de mais profissionais, qualificando melhor os cidadãos de nossa cidade e de uma região muito ampla que necessita desse investimento para possibilitar a mais pessoas o acesso à uma educação de altíssima qualidade, não pode ser deixado em segundo plano, ou de lado.
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Tomara que o bom senso seja o imperativo do diálogo que necessita-se ter com a prefeitura para resolver a questão da doação. A nossa cidade não pode deixar de ter esse investimento. Nós merecemos isso, e muito mais. Vamos aguardar.
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SE DER SOPA...

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Nestas férias o negócio piorou, aumentei a quantidade de quilos. Quando vou ao centro da cidade algumas pessoas me cumprimentam e depois falam o quanto estou gordo. Ontem teve uma amiga que disse para eu fazer dieta, caminhar e coisa e tal. Disse que há uma dieta da sopa. Se eu fizer (improvável) quem me der sopa eu como (dei vontade de dizer na hora, mas...).
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PRA NÃO CHORAR.

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A "esperteza" junto à falta de conhecimentos geram tantas aberrações ilárias. Só podemos sorrir disso.
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quinta-feira, 23 de julho de 2009

O VOO DE AVESTRUZ E A NOSSA MISÉRIA.

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Ilustração do prefeito avestruz se lixando para as necessidades dos cidadãos florianenses.
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Pode-se concluir facilmente por dedução que a função essencial da asa “...consiste em levar o que é pesado para as alturas... (PLATÃO)” A asa seria assim o meio que se utiliza para atingir fins diante das necessidades. Farei uma anologia propondo que o cidadão florianense tenha a função da asa no contexto democrático.
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A democracia é necessidade vital de nossa sociedade porque é uma forma de governo que poderá, nos dias atuais, nos levar aos obejtivos sociais. Ela utiliza seus “politikós” para atingir os fins da “ta politika”. Ou seja, a ação cidadã é requisito primacial para a existência da democracia. Neste sentido o cidadão (politikós) é a asa que eleva a política (ta politika) ao píncaro da vida cidadã.
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Deveria ser assim, mas em Floriano não é há muito tempo. A nossa democracia e suas asas não conseguem se elevar além do nível da malandragem política. Quando democraticamente se elege alguém para conduzir o voo, esse alguém é mais pesado do que o potencial das asas. E nada sai do lugar. Passa ano e sai ano e as asas ficam tentando chegar ao píncaro, só tentando.
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Comparo, por exemplo, o prefeito atual com um avestruz. Esse animal é mais pesado do que suas asas podem levar. Aí, fica aquele monstrengo que tem asa mas não voa. JOREL é um avestruz pesadíssimo e com asas pequenas para seu corpo.
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A nossa democracia é forte, mas não consegue proporcionar aos seus cidadãos uma vida digna. As asas escolhem corpos pesados demais para levar. O sobrepeso de JOREL é tudo aquilo que impede a nossa cidade de se desenvolver: nepotismo, empreguismo, patrimonialismo, descaso, incompetência... Desse jeito não dá, não vamos sair nunca do lugar onde estamos. Ficamos tontos como um avestruz que corre vacilante de lá para cá dentro de um cativeiro, sem sair do lugar, ou seja, sem sair da miséria.
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A nossa democracia tem que deixar de ter asas de avestruz, se nós podemos voar por que carregar um animal desengonçado? Não há motivos racionais para isso, mas precisamos saber conscientemente quem somos para saber como chegar aonde pretendemos.
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Temos de deixar de ser asas de avestruz. Quando iremos ser asas de uma ave hábil, leve, determinada e que saiba voar no rumo certo em busca da cidadania?
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quarta-feira, 22 de julho de 2009

SANTA FINALIDADE.

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Foto ilustrativa do fato.
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Perguntei a alguns evangélicos o que eles pensam de o prefeito JOREL ter gasto dinheiro público para promover a religião deles através do “arrastão” evangélico (08/07/2009), segundo relato de integrante do governo. Todos a quem me dirigi disseram que não foi um “arrastão”, mas uma “marcha” para Jesus. E que nada há de errado já que ele patrocinou o “arrastão”. Uma lógica pouco louvável.
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Mas retruquei dizendo que vários Joelistas propagaram efusivamente ter sido o “arrastão” evangélico, um sucesso. Uma evangélica de Teresina que estuda aqui e foi minha aluna recentemente me disse que é um absurdo chamar de “arrastão” uma manifestação religiosa, uma falta de respeito.
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Continuei perturbando, mas tinha músicas de vários ritmos, tinha trio elétrico, todo mundo seguindo uma dita “atração” do evento... Qual a diferença do evento que ocorrera no dia anterior da “marcha” que o prefeito enche o peito e diz ser a marca da sua administração e que ele chama de “arrastão” (muito sugestivo)?
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Outro evangélico me disse, preconceituosamente, que o dito “arrastão” do prefeito é dos católicos e a “marcha”, dos evangélicos. Resposta pouco inteligente, pois para rechaçar o adjetivo pouco inteligente eles atacam os demais. Para converter fiéis de outras manifestações religiosas, principalmente católicos, estão usando as mesmas armas deles. A meu ver uma tática sem mérito, já que dizem combater os valores católicos, mas ao mesmo tempo assumem esses valores com uma ou outra modificaçãozinha. Muito estranho.
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Se há pouca diferença nos valores, como convencer alguém a mudar de religião? Entendo que evangélicos, para se afirmar e converter mais fiéis, devem agir como são, com seus valores e não procurar imitar em quase tudo os católicos.
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E eu, um sem-religião, o que tenho a ver com isso? O “arrastão”, digo, a “marcha” teve patrocínio de dinheiro público? Quando compro algum produto uma parte (alguns deles até a metade do preço) é imposto. Como o estado brasileiro é constitucionalmente laico não tem que gastar nenhum centavo com religião nenhuma.
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Quem quiser patrocinar eventos religiosos que o faça com seu próprio dinheiro. O prefeito JOREL pode pagar do seu bolso, já que o salário dele é R$ 14.000,00, o que já é um horror para os cofres públicos porque a população o qualifica como o 4º pior prefeito do Piauí, segundo o Instituto Data AZ.
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Quando JOREL diz que o “arrastão” é a marca da sua administração, ele eleva ao patamar na sua escala de “valores” um evento que é, em essência, emburrecedor como se fosse uma coisa edificante. Quando seus seguidores chamam a “marcha” para Jesus de “arrastão” estão apenas querendo “valorizar”, de acordo com a escala de “valores” do chefe, esse evento evangélico.
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Os evangélicos não precisam se estressar, essa turma, baseada nos “valores” do chefe está apenas confundindo as pessoas para que percam a noção do bom e do ruim, do bem e do mal, do certo e do errado, do justo e do injusto, com objetivos determinados. Se as pessoas ficarem confusas sobre o que é certo ou errado, tudo passa a ser permitido. Entenderam a finalidade? Evangélicos não entrem nessa onda, marquem a existência com valores autênticos e firmes.
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terça-feira, 21 de julho de 2009

APRENDENDO COM EXEMPLOS.

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Modelo de bandido glamourizado pela mídia e por algumas pessoas.
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Há os pensadores que nos ensinam que a aprendizagem se dá de modos variados, e não apenas de uma forma só. Filósofos debateram - e continuam debatendo, agora com a neurociência – este tema desde a Antiguidade. Aprender no sentido de conhecer é, portanto, uma preocupação que tem levado os estudiosos a várias explicações.
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Não podemos conhecer nada se não admitirmos que nada se modifica, que tudo permanece inalterado. Não! Só podemos conhecer tais coisas, a realidade, se aceitarmos que tudo muda, “tudo flui”, tudo se transforma.
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Na verdade, ninguém conhece nada, apenas relembramos. Não! Só há conhecimento se experienciarmos as coisas. Nascemos com os conhecimentos todos, só nos resta relembrá-los. Não! Nascemos apenas com algumas ideias, as demais derivam das primeiras que são irrefutáveis. Pelo contrário, sentimos as coisas, depois as percebemos, depois as compreendemos.
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Outros disseram que vivemos experienciando e guardando na memória essas experiências para poder agir diante de novas situações. São muitas as teorias, mas há um aspecto na aprendizagem que se tornou ponto pacífico, psicologicamente.
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Crianças aprendem com ações, práticas das pessoas mais próximas, de pessoas que elas admiram como heróis. Aprendem com aqueles que se destacam publicamente e, nos nossos dias, com aqueles que a mídia ele como modelos, ou mesmo com as autoridades.
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As crianças não compreendem, ainda, a dimensão temporal. Ao ver os heróis agindo não levam em consideração o passado e todas as circunstâncias em que acertos e erros foram cometidos. Ou mesmo a modificação de comportamento dos mesmos. O que veem são os atos presentes envoltos numa precária projeção de futuro.
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Há alguns anos ouvi um relato de uma aluna, professoranda, sobre uma experiência numa escola pública de Floriano. Num determinado dia a professora titular da sala fez uma dinâmica com o objetivo de difundir o valor do trabalho. Perguntou às crianças que profissão gostariam de exercer quando adultas.
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Várias foram as respostas, e as profissões mais valorizadas socialmente foram as mais citadas. Um queria ser médico, outra advogada, outra dentista, outro queria ser policial, outro falou bombeiro... Na seqüência um garotinho disse que queria ser bandido. Perplexidade geral.
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A professora toda avexada perguntou, por quê? O garoto justificou com a sua inocência: não precisarei estudar, não precisarei trabalhar, acordarei na nora que quiser, terei muito dinheiro, terei casas, terei carrões, terei mulheres e não serei preso por isso.
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Pronto, normalmente este é o modelo mais recorrente que se vê na mídia ultimamente sendo divulgado. Se o bandido rico vai preso, logo, logo ele estará nas ruas de novo, e isso quando vai preso. São os exemplos lamentáveis que influenciarão algumas crianças sem uma base moral consistente.
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Neste país das desigualdades econômicas, sociais, culturais, políticas, pessoas que não possuem profissão nenhuma e nem trabalham, de uma hora para outra aparecem ricas esnobando a riqueza roubada desavergonhadamente com um ar de intocável. Roubam e todo mundo está vendo que são ladrões, mas ninguém faz nada. Fica todo mundo calado.
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Eu falei para a minha ex-aluna, depois de seu desabafo entristecido, que nós temos que continuar educando para a dignidade, mesmo que, ao que parece, algumas autoridades queiram o contrário. Mesmo que o exemplo do pilantra bem sucedido seja mais glamoroso e divulgado. Mesmo que nossa luta pareça chata, inglória. Mesmo que os pilantras sempre apareçam na mídia servindo de exemplo às inexperientes crianças e projetando um futuro sombrio.
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segunda-feira, 20 de julho de 2009

POESIA.

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POEMINHA DE ÁGUA DOCE.
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Ah, o poder
doce água de beber é o poder
Mas, ai da barriga do sedento
Que se engana em poder secá-la
E bebe, e bebe tanto
E bebe muito, demais
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Enfim o que é doce na água
É o esquecimento misturado à prepotência
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O doce da água o faz esquecer "quem foi"
A prepotência o faz enganar-se com "quem é"
O doce da água o afasta do "quem foi"
A prepotência o aproxima da ilusão
O doce da água o afasta dele mesmo
A prepotência o aproxima do abismo
O doce da água o embriaga e o vicia
A prepotência o cega na ressaca
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Ah, o poder
Doce água de beber
Continuará doce sempre
E o sedento ao entorpercer-se
Se verá só no seu novo deserto de amigos
E a doce água de beber
Será apenas miragem que se afasta
E com o "quem foi" distante do "quem é"
Preenchido de deserto
O sedento se verá perdido e só
Morrendo de sede
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(Floriano: 19/07/2009 - JAIR FEITOSA).
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PIADA, MAIS UMA.

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O bêbado entra numa igreja evangélica na hora em que todos estão gritando e suplicando de forma desesperada. Ele vai ao centro da gritaria e pergunta o que está acontecendo.
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- Por que tanto desespero, tanta gritaria?
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Ao que o pastor explica todo compreensivo:
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- É que Jesus está operando aqui.
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O bêbado, na sua ignorância, pergunta em seguida:
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- Mas assim, sem anestesia?
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O pessoal fica mandando essas piadas, depois...
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sexta-feira, 17 de julho de 2009

PROJOVEM EM FLORIANO, UM DESCASO.

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Três meses. Este é o tempo que os alunos do ProJovem em Floriano estão sem receber a bolsa de R$ 100,00 paga por este Programa do Governo Federal. Esta é a denúncia que tomei conhecimento.
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O ProJovem tem como objetivo “Investir em uma política nacional integrada, com programas e ações voltados para o desenvolvimento integral do jovem brasileiro e representa uma dupla aposta: criar as condições necessárias para romper o ciclo de reprodução das desigualdades e restaurar a esperança da sociedade em relação ao futuro do Brasil.”
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“Com essa perspectiva, em 2005, o governo federal lançou a Política Nacional de Juventude, que compreendeu, além da criação da Secretaria Nacional de Juventude e do Conselho Nacional de Juventude, o desenvolvimento do Programa Nacional de Inclusão de Jovens: Educação, Qualificação e Ação Comunitária – ProJovem.” Há quatro modalidades desse programa, para saber mais detalhes acesse o endereço:
www.projovemurbano.gov.br.
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O convênio do governo federal, governo do estado e as prefeituras, que dão uma contrapartida para a execução do programa e têm a responsabilidade de executá-lo e de fazer o repasse do dinheiro, indica que há cerca de 450 alunos matriculados no programa em Floriano e que oferece 15 cursos diferentes. Aqui estão realizando a segunda etapa do programa que é conduzido pela Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social - Departamento Especial da Juventude, cuja secretária é irmã do prefeito (está tudo em casa).
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O prefeito de Floriano acossado por denúncia anônima de que teria utilizado o dinheiro do repasse das bolsas para pagar o pagode (que o prefeito julga ser o símbolo de sua administração) chamado “arrastão”, fez reunião e garantiu aos alunos que não passava de boato.
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Acredito que o prefeito, neste aspecto, e só neste, esteja falando a verdade. Pois se tal boato fosse verdadeiro seria uma atitude estúpida e irracional, merecedora de apuração através do Ministério Público Federal, já que se trata de dinheiro público de origem federal. Só um prefeito extremamente negligente deixaria os alunos de um programa destinado a pessoas necessitadas, sem receber a bolsa a que têm direito, por ter desviado os recursos para uma finalidade tão emburrecedora.
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Seria cômico, se não fosse trágico desviar dinheiro da educação para um evento que revela tanta falta de sensatez e de inteligência. Aliás, quem tem notícia de alguma pessoa que usa minimamente a sua inteligência num evento como esse? A pergunta não é irônica, não. Como uma pessoa participa de um evento que tem o nome de “arrastão”?
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Quatro alunos reclamaram que a bolsa não é paga há três meses, e neste aspecto o prefeito não falou a verdade porque teria dito aos alunos que a culpa do atraso é do governo federal que não tem feito os repasses.
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Qualquer pessoa pode entrar no Portal da Transparência (www.portaldatransparencia.gov.br) e verificar que os valores correspondentes aos meses de fevereiro, março, abril, maio deste ano estão registrados como já disponibilizados. Cada mês corresponde em reais a 15.075,00. Se a primeira turma teve as suas atividades encerradas, a segunda etapa foi iniciada no mês de abril. Há uma incongruência entre o que teria dito o prefeito e o que mostra a prestação de contas do governo federal.
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E o que diz a direção do PT de Floriano acerca da acusação do prefeito? Não vai se manifestar? Não vai investigar? Vai deixar o prefeito atentar contra a imagem do presidente LULA assim despropositadamente? Cadê aquele partido contestador?
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Entendo que o PT tem sim que se meter nessa conversa, inclusive, se confirmada a denúncia desses quatro alunos, encaminhar ao Ministério Público Federal pedido de investigação. O PT de Floriano é o governo LULA aqui, é ele que representa o governo na cidade. O dinheiro do povo não pode ser administrado com tamanho descaso.
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Chega de medo. Chega de blindagem. Chega de enfiar a cabeça na areia e fingir que não está vendo nada. A história será cruel com aqueles que foram coniventes com estas atitudes despropositadas. Se o dinheiro foi repassado pelo governo federal, como mostra o Portal da Transparência, onde está o dinheiro?
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Com a palavra as autoridades responsáveis pela fiscalização da aplicação do dinheiro público.
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P.S.: Hoje pela manhã enviei e-mail à secretária responsável e ao Secretário de Comunicação. Nenhum dos dois se dignificou a responder. Como não quiseram dá a versão da administração municipal, escrevi apenas baseado nas denúncias.
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OITENTA ANOS DE HABERMAS.

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Este é Jürgen HABERMAS. Filósofo alemão nascido em Düsseldorf, 1929. Em 18 de junho deste ano, comemorou-se o 80º aniversário daquele que é considerado o maior filósofo alemão vivo (segundo alguns historiadores da Filosofia, mas segundo outros, ele é o maior Filósofo vivo). Representante da "segunda geração" da Escola de Frankfurt (grupo que reuniu teóricos como Walter Benjamin, Max Horkheimer, Theodor Adorno e Herbert Marcuse), HABERMAS é autor de livros que propõem articulações inovadoras no campo das teorias do direito, da moral e da educação. Abaixo tem um texto de PAULO GHIRALDELLI JR. sobre esta data e o pensamento do Filósofo. Vale a pena ler sobre um personagem que está na história da humanidade e é nosso contemporâneo. Boa leitura.
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HABERMAS, BEM MAIS QUE SÓ OS "OITENTA ANOS".
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Há um Davidson entre Rorty e Habermas.
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Habermas – o aluno rejeitado de Adorno. Não é injusto? Habermas – o amigo de Rorty. É estranho? Habermas – frankfurtiano. Ainda vale dizer isso assim, sem mais? Habermas – pragmatista. É correto afirmar isso?
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Quatro perguntas, quatro afirmações e quatro histórias, mas um único Habermas. Único, mesmo? Quase. É comum dizer de alguns filósofos, como Foucault, por exemplo, que eles tapeiam seus seguidores, mudando de curso inesperadamente. Os seguidores primeiros de Habermas teriam menos vontade de dizer isso. Mas, para Habermas, também vale o que é dito de outros filósofos espertos.
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Habermas começou a filosofar em busca de uma posição frankfurtiana, sem dúvida, mas não negativa, mais positiva, ou melhor, prospectiva. De modo não muito demorado, esboçou o que depois veio a ser a Teoria do Agir Comunicativo. Os incautos acreditaram que se tratava de uma “teoria da comunicação humana”. Não era. A tal Teoria era um enorme esforço, a partir de bases científicas variadas, de mostrar que ainda era possível fazer filosofia em um sentido tradicional do termo, ou seja, como busca de fundamentos. O Fundamento, que Platão, ao menos por um tempo, acreditou estar nas Formas, e que Descartes viu na certeza do Cogito, Habermas apontou na linguagem, ou melhor, na comunicação lingüística.
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Este foi o trabalho de Habermas em filosofia. Sua Teoria do Agir Comunicativo não era uma teoria da comunicação e, nem mesmo, uma teoria a respeito da ação de comunicação, mas era e é, sim, uma teoria filosófica em que a comunicação, ao se exercer, analisada segundo uma determinada ótica, fornece as bases fundacionais da intelecção humana, recompondo a epistemologia para a filosofia e, senão é propriamente a reconstrução de um projeto quase metafísico, é, de fato, um conjunto teórico que mostra garantias para a filosofia. É uma teoria que permite dizer: eis aí como que nossa capacidade de conhecimento não recebe louvor em vão, pois ela de fato tem seu direito de reclamar por alguma glória. Não era o projeto de Adorno. Mas nasceu de uma brecha consentida por Adorno em seu aparente negativismo.
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Habermas começou frankfurtiano e se tornou pragmatista. Quando foi frankfurtiano, não aderiu à Escola de Frankfurt em sua característica mais forte. Como pragmatista, apenas assumiu um modo de ver a verdade que lembra muito John Dewey e, evidentemente, um apreço incansável pela democracia.
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Mas, como que Habermas se tornou amigo de Rorty, aquela pragmatista que abdicou da filosofia como busca de fundamentos e, ainda que amante da democracia, chegou a afirmar que esta era o campo de possibilidade da filosofia, e não o inverso? Teria sido só pelas afinidades políticas que Rorty e Habermas chegaram a uma boa amizade?
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Rorty diria: você diz “só”? Mas compartilhar posições políticas democráticas já não é muito? Não digo que é pouco, mas isso, para pessoas comuns. Mas, para filósofos, não haveria mais que isso? Não deveria haver mais? Não haveria mais que isso no caso em que, de fato, estamos diante de uma amizade que foi consolidada ao longo de vinte anos de críticas mútuas?
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Não há dúvida que Habermas, como Sartre para a França e Dewey para os Estados Unidos, serviu como consciência de sua pátria, a Alemanha. Quem sabe senão de toda a Europa? E isso era algo que Rorty apreciava como ninguém enquanto autêntica tarefa do filósofo. Ele próprio, ao menos nos últimos vinte anos de sua carreira, também exerceu esse papel, encarnando o espírito daquele que deveria recuperar para o mundo, e em especial para os mais generosos nos Estados Unidos, a idéia de que a “América” não era um continente nem um país, em sim um sonho – o sonho de liberdade concretizada por meio do pedido de que, no futuro, pudéssemos ser “versões melhores de nós mesmos” e, com isso, e só com isso, estivéssemos onde estivéssemos, poderíamos nos ver como americanos – pessoas melhoradas: mais livres, mais ricas, mais complexas certamente. Essa forma de fazer filosofia fez Rorty e Habermas se aproximarem. Todavia, para isso, eles abriram mão de conversar sobre aquilo que nos aspectos mais técnicos da filosofia, enraizava-se a divergência entre eles, o inseparável muro entre fundacionismo e não-fundacionismo?
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Os filósofos acertam pouco quando apontam as divergências entre Habermas e Rorty. Não passam de nomear rótulos. Os professores de filosofia erram tanto quanto. Os erros são devidos a um receio de ter de enfrentar o seguinte problema: Rorty e Habermas não divergem entre si diretamente, mas divergem entre si na medida em que o pragmatismo de Rorty tem uma dívida especial para com Donald Davidson, enquanto que Habermas, por sua vez, não compartilha da filosofia com atividade exclusivamente descritiva, como é a de Davidson. É nisso que a divergência se encerra. Todo o resto é contingente e, de certo modo, removível.
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No núcleo da questão o que é a linguagem é que se encerra toda a divergência entre Habermas e Rorty. Pois, Rorty acreditou (talvez até mais que o próprio Davidson ou, ao menos, em uma forma radical de interpretar a fala de Davidson) em uma das mais fantásticas frases que um filósofo contemporâneo poderia ter pronunciado, a de Davidson, a saber, a de que “não existe algo como a linguagem”. Tenho a tendência, no meu próprio filosofar, de levar essa frase tão a sério quanto Davidson queria que a tomássemos. E, então, sei bem o que é ter de arcar com isso diante de um filósofo como Habermas que jogou todas as suas fichas de possibilidades de ainda se falar em filosofia como projeto no qual a razão tem todas as suas pernas e braços em funcionamento, exatamente na medida em que são energizados pelo que é notado de intrínseco à linguagem. Resumindo ao máximo: o lugar em que Habermas encontra a possibilidade da filosofia, a possibilidade de que o intelecto não atue a esmo, que é a linguagem, é vista pelo herói de Rorty – e meu – como aquilo que não existe.
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É claro que Davidson complementa a frase e diz que ele afirma que não existe a linguagem como aquilo que “os lingüistas chamam de linguagem”. Mas, se é que isso livra Davidson de alguns críticos, em nada melhora o nosso caso aqui, pois, como Habermas vê a linguagem, ela é, sem dúvida, muito do que os lingüistas assumem que ela é, sem contar uma série de filósofos.
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A linguagem, independentemente de ser tomada como inata ou aprendida, é um conjunto de práticas compartilhadas pelos seus usuários – é assim que Habermas e muitos a tomam. Não é o caso de Davidson. A linguagem, ou qualquer coisa próxima disso, é um nome que damos para algo que ocorre após o entendimento mútuo ou, melhor dizendo, a comunicação. Fiel a um tipo de interpretação com raízes em Dewey e Quine, o que Davidson diz é que aquilo que chamamos de linguagem é a comunicação com êxito, de alguma maneira já catalogada entre nosso elenco de arrumar ferramentas em nossa caixa de trabalho. Mas, antes de encontrarmos, ou melhor, de forjarmos os caminhos pelos quais a comunicação ocorre, nada há a não ser os estímulos comuns do meio, que compartilhamos, como outras duas pontas de um triângulo no qual se estabelece um campo em que pode haver uma interação. Neste campo os participantes se observam e, além disso, levam adianta a observação conjunta do ponto comum e, então, se observam em reação ao ponto comum que notam. Então, se daí surgir alguma possibilidade de que determinadas frustrações e expectativas com os que se observam e observam o ponto comum se efetivem, pode surgir o fenômeno da comunicação, o que, depois, poderá vir a ser chamado de linguagem. Poderemos até, depois, inventar um debate sobre se o que catalogamos sob a rubrica de linguagem é algo adquirido ou inato, mas aí já teremos perdido o fio da meada, teremos deixado de lado que o que houve não se deu a partir da linguagem, e sim a partir da comunicação que se realizou ou, o que é o mesmo, que teve êxito. O que funcionou nessa triangulação foi algo que poderíamos chamar de imaginação.
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Não há uma atividade de intelecção intersubjetiva por causa de que a linguagem é uma estrutura (inata ou aprendida) que se faz, antes de tudo, como uma instituição que só é poder se já foi entendimento. Então, não há a linguagem em um sentido que pode ser aceito por Habermas. Quando assumimos Davidson, neste grau, estamos divergindo de Habermas quanto ao núcleo de sua filosofia, de sua Teoria do Agir Comunicativo. Mas o que faz os filósofos e professores de filosofia, então, tropeçarem nas comparações que fazem entre Rorty e Habermas? Ora, eles tropeçam por conta de um detalhe: a divergência entre Rorty e Habermas, que tem Davidson ao centro, não implica em impedi-los de dizer, todos os três – e eu com eles –, que a objetividade é um produto intersubjetivo. Sim, é, sabemos disso. Mas, quem diz isso por causa de ser davidsoniano está fazendo uma afirmação muito mais descritiva do fenômeno da comunicação do que quem diz isso por conta de ser habermasiano. O esquema da triangulação davidsoniano é relativamente simples. Descreve bem como que a comunicação ocorre sem que tenhamos necessidade de recorrer a pontos de vista filosóficos mais complexos, que impliquem em outras filosofias ou, mesmo, aparatos de teorização científica, como é o caso de Habermas.
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Fica muito difícil para Habermas abandonar algo que custou muito para a filosofia, calçada em uma longa tradição de crença na atividade racional como inerente a uma expressão cara aos europeus, a “condição humana”. Fica muito fácil para Davidson, tendo sido herdeiro de Quine, não apostar em qualquer coisa que possa ser chamada “condição humana”, ficando apenas com a comunicação entre dois seres que pareciam que poderiam se comunicar na medida em que se entreolhavam e olhavam também para um terceiro ponto, que parecia ser um estímulo compartilhado.
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Assim, eis aí o núcleo de divergências entre Habermas e Rorty. Há algo que os impeça de apostar que para a verdade, sendo qualidade de enunciados, é algo a que chegamos a partir de consensos contingentes? Não. Então, não podem eles, sendo ambos democratas, ter posições sobre especificidades da política, bastante comuns? Sem dúvida! Foi isso que ocorreu e que deu para nós um exemplo de amizade intelectual das mais emocionantes, nos últimos quarenta anos.
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Doutor e mestre em filosofia pela USP; doutor e mestre em filosofia da educação pela PUC-SP, livre docente e titular pela UNESP, pós-doutor em medicina social pela UERJ. Diretor do Centro de Estudos em Filosofia Americana – www.pragmatismo.com. Editor da Contemporary Pragmatism de New York.
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ROUBANDO A CENA.

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Para tirar uma foto a gente se prepara, confere a máquina, vê se tá tudo enquadrado, se a luz está boa, se o diafragma está no ponto, a velocidade do disparador, e se, principalmente, estamos bem. Foto tirada, quando se vai ver... lá no fundo aparece alguém ou alguma coisa roubando o obejto da foto. É de lascar, é de sorrir. Vejam que nestas fotos alguém, ou um fato fizeram com elas ficassem mais famosas pela distração. Obrigado ao cunhado VALDO, pelo envio. Só dizendo que o VALDO tem uma máquina que não tem nada do que falei acima tecnicamente (fiz um curso de oito meses, em Fortaleza, de fotografia). As más línguas dizem que o flash da máquina dele tem uma luz tão potente que não consegue rivalizar com um palito de fósforo (eita, aí é demais, respeita a polícia...).
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quinta-feira, 16 de julho de 2009

O COMPLETAMENTE OUTRO.

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Este documento diz quem sou, diz que este da foto sou eu com minhas características. Diz que não sou outro, mas sou eu.
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O leitor já percebeu como faço para dizer quem sou e o que penso. Não é um truque, mas se tornou um hábito, uma forma de pensar e de falar que há muito os seres humanos exercem. Gosto de afirmar a minha identidade através de um jogo dialético negativo entre o que sou e quem sou com o que e quem não sou.
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Uma das formas que o ser humano desenvolveu para conhecer e dizer o que as coisas são é desenvolvendo raciocínios por semelhanças e diferenças. Digo o que uma coisa é caracterizando-a e dizendo o que ela não é. Só posso dizer que uma coisa é quando a comparo com outras coisas. Se assim não fosse não conseguiria dizê-la. Poderia dizê-la, sim, de um jeito menos complicado, mais fácil como fazem muitos. Mas...
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Quando digo que o outro é de um jeito que não concordo, estou dizendo, implicitamente, quem sou. E dizer que o outro é um não-eu, que é o absolutamente outro, é fundamental para que não percamos a nossa identidade.
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Quando deixamos de nos tornar que somos nos acostumamos a ser quem não somos na identidade do outro. Aí, tudo passa a ser comum, normal. Deixamos até de perceber o que antes víamos com indignação. Ficamos cegos. As diferenças desaparecem e tudo se torna um só. Tudo fica igual, perde-se a identidade. E isto gera angústia.
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Imagine entrar num estádio de futebol na China (claro, um exemplo rude). Que impacto você não sentiria? Eu sentiria medo, angústia. Pensaria: não estou no lugar errado por ser diferente de tanta gente. A angústia surge porque o estranho sou eu, e como posso querer ser quem sou com tanta estranheza? Como posso dizer quem sou para tanta gente que não é como eu? Angustiado, me imagino diferente demais no meio de tanta igualdade. E aí, resisto e permaneço na minha identidade?
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Essa angústia é falsa. É só um sentimento de rejeição, pois não se define quem somos pela similitude, mas pela diferença. Este é o resultado que quer gerar em nós, o outro, que deseja anular a minha identidade.
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Enquanto digo que roubar o dinheiro e bens públicos é errado, e enquanto digo que incompetentes não devem ser levados ao exercício do poder, estou dizendo que sou diferente de quem pensa e age de modo contrário.
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Mas o outro diz que todos roubam e são incompetentes, que todos fazem isso. Neste instante ele está me convidando a entrar no estádio chinês. Está forçando um estranhamento em mim. Está dizendo que é normal, comum. Está me tornando um cego, está me descaracterizando, está me tornando um não-eu, está me tornando igual. Neste momento a minha angústia começa a desaparecer.
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Mas tenho que ser convicto de quem sou. Tenho que defender quem sou, pois só posso me reconhecer na diferença do outro. Neste momento o que me torna diferente começa a gritar dentro de mim denunciando como crime aquilo que o outro “acha” comum, normal. Pois é uma fraude que comunico na mesma língua do outro para acordar os demais.
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Assim, digo quem sou. Agora dá pra entender por que digo continuamente que o não-eu, o completamente outro é tudo o que ele é e representa? E vou continuar dizendo o que tenho denunciado para poder afirmar quem eu sou em contraponto com quem não sou.
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E prefiro a angústia da estranheza do que a perda da capacidade de indignação.
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quarta-feira, 15 de julho de 2009

ADEUS, PSDB.

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As gêmeas ELZA e ELDA BUCAR em foto da www.faesfpi.com.br
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Na expectativa de encontra o partido certo e na hora certa para nele ingressar e começar a trabalhar objetivando 2010, as irmãs ELSA e ELDA BUCAR estão conversando com representantes de alguns partidos políticos para acertar as suas filiações.
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No último encontro do PSB em Floriano estivemos conversando no saguão do Hotel Rio Parnaíba. Nesta ocasião elas me disseram que pretendem encontrar um partido político, já que saíram do PSDB, para ELZA BUCAR poder concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa.
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Fim de semana passada estiveram conversando com o PSB. Outras reuniões serão necessárias para se fechar um acordo desse tipo que envolve tantos
interesses.
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Uma coisa é certa, deram adeus ao PSDB.
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