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quinta-feira, 7 de maio de 2009

VEM MAIS ÁGUA AÍ, GENTE.

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Barragem de Boa Esperança liberando água.
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Hoje o Gerente Regional de Operação Oeste da CHESF no Piauí, AIRTON FEITOSA, enviou e-mail comunicando que a partir das 06h:00 de hoje, 07/05/2009, o reservatório de água da Barragem de Boa Esperança chegou ao seu limite máximo. Por isso começou a ser liberada mais água hoje. O aumento do nível de água se deu por causa da quantidade de chuvas que vêm ocorrendo lá pelas nascentes do Parnaíba até o lago e nos seus afluentes.
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Mas isso não vai aumentar o nível do rio Parnaíba, aqui em Floriano, ao ponto de alagamento, pelo menos enquanto as chuvas nas nascentes do rio ficarem nos níveis de até então. Se as precipitações aumentarem consideravelmente, aí é outra coisa. Mas as chuvas nessas áreas estão ocorrendo num nível esperado, porém isso não é motivo para não ficarmos vigilantes. Tudo pode mudar, cuidado é pouco. E tomara que não mude a intensidade das chuvas tão drasticamente, pois o lago de Boa Esperança já está com 99,58% de sua capacidade total.
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Quem desejar mais informações o número do telefone da CHESF em Teresina é: (86) 3087 2725.
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quarta-feira, 6 de maio de 2009

MESTRE ODIMÓGENES SOARES LOPES.

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O professor ODIMÓGENES SOARES LOPES, Gerente de Ensino do Campus Floriano do Instituto Federal do Piauí, acaba de me enviar mensagem comunicando que a partir de hoje ele é mestre em Ensino de Ciências e Matemática, título obtido pela ULBRA - Universidade Luterana do Brasil, no Rio Grande do Sul.
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Ao Odi, como o chamamos aqui no IFPI, desejo todo o sucesso, mais ainda, no desenvolvimento de suas atividades educacionais. Ele é formado em Matemática. Depois direi o nome do trabalho acadêmico dele, a sua dissertação de mestrado.
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O CHORO SOLITÁRIO DE TERESINA.

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Desta vez os atingidos pelas cheias dos rios Parnaíba e Poty não foram apenas os pobres da capital Teresina. Como podemos ver nessas fotos que me foram enviadas pela professora Msc. GISELDA COSTA (IFPI - Floriano). Chocantes. O teresinense está triste e preocupado com tamanha desolação, pois a cidade toda foi atingida direta ou indiretamente. Muita gente precisando de ajuda. No interior várias cidades margeadas pelo Poty estão em situação mais preocupante ainda. Muita gente perdeu casa, pertences particulares e também a dignidade, pois estão vivendo em condições de humilhação. O país todo já assistiu às imagens do transtorno implacável provocado pelas forças da natureza que são divulgadas de todos os ângulos e de todos os lugares alagados.
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Alguém aí já leu em algum jornal, assistiu em algum canal de tv, leu em portais da internet solicitações de ajuda aos cidadãos de vários estados do nordeste que estão sofrendo com as cheias? Alguém já viu algum catarinense se oferecer para ajudar aos desabrigados do nordeste? Não é por nada, não. Mas nós somos vistos de outro modo. O nordestino é gente que não é digna de ajuda. Para encerrar, dor de barriga só dá uma vez?
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O DEBOCHADO E A ESTÚPIDA.

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Caricatura de JOSÉ (moto)SERRA, o debochado.
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Foto da estúpida PARIS HILTON. A vida dela é o tempo todo isso aí, aliás, é mais do que só isso.
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A revista Veja desta semana traz duas frases ditas por essas duas figuras aí a respeito da pandemia da gripe "A", anteriormente conhecida como gripe "suína". A primeira frase foi dita pelo governador de São Paulo (PSDB): "Ela é transmitida dos porquinhos para as pessoas só quando eles espirram. Portanto, a providência elementar é não ficar perto de porquinho nenhum."
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É claro que esse comentário além de ser desrespeitoso com as pessoas que involuntariamente contraíram a doença é também um deboche. Porque os porquinhos a que ele se refere são as pessoas que por ter contraído a doença não tomariam cuidado e andariam por aí espirrando e transmitindo-a para os outros. Então, segundo ele, o jeito é não se aproximar das pessoas contamidas porque elas são porcas e podem transmitir o vírus a qualquer um. Este comentário é de um "político" que pretende ser candidato a presidente do Brasil. Mas ele é da mesma cepa de um FHC (PSDB) que chamou os aposentados de "vagabundos". Não causa surpresa esse tipo de atitude desrespeitosa e debochada praticada por esse "senhor".
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Quanto à estúpida, milionária porque neta de bilionário americano, vive a vida sem fazer nada, porque pode viver sem fazer nada, herdou uma fortuna e a utiliza para mostrar o quanto um ser humano pode fútil. Ela procura viver no limite da irresponsabilidade fazendo coisas inimagináveis. Pois a estúpida, ao ser perguntado se tinha medo de contrair o vírus, respondeu: "Não me preocupo. Não como isso." Pois é, com absoluta falta de conhecimento sobre o processo de transmissão da doença tripudiou em cima da estupidez e se revelou no mais íntimo momento (que não o da foto, claro) de falta de informação. A Organização Mundial de Saúde já declarou para a imprensa que não se "pega" a doença comendo carne de porco. Essa declaração foi dada para evitar que o governo do Egito ( e outros mais) continuasse a ordenar a matança geral de porcos no país.
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Como se vê a estúpida passa muito tempo envolvida com frivolidades e não se informa sobre um assunto que toma a atenção mundial das pessoas. Esses dois juntos formam mesmo uma dupla do barulho. Barulho da estupidez e deboche, é claro.
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terça-feira, 5 de maio de 2009

VALEU, SIM.

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Recebi informação hoje à tarde dando conta que o TSE validou os votos obtidos por GILBERTO JÚNIOR e NELSON JÚNIOR na última campanha eleitoral para prefeito de Floriano. Então, muita gente que falou besteira durante e após a eleição vai ter que ouvir algumas verdades que estão vindo por aí. Aguardem mais informações.
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segunda-feira, 4 de maio de 2009

O DEUS DINHEIRO.

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Olha o EDIR MACEDO aí no lugar em que deveria ter continuado. Mas as leis são feitas para livrar gente como ele da cadeia. É uma pena, mas se ele tivesse continuado aí muita gente não teria se envolvido com esse tipo de coisa.
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Olha o deus dele aí.
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Saiu na imprensa que o "bispo" EDIR MACEDO, dono da Igreja Universal, criou uma nova maneira de tirar dinheiro dos incautos. Ele está pedindo dinheiro através de seu blog para o sítio da Universal chamado "Arca Universal". Ele diz que manter o sítio é muito caro e por isso pede aos incautos que enviem dinheiro, pois a conta mensal está em torno de R$ 108.000,00. Vejam o absurdo: ele diz que para pagar jornalistas, água, luz, telefone, hospedagem do sítio e outras coisas necesita de doações do bestas.
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Para as pessoas não se preocuparem em saber como irá fazer isso ele disponibilizou o pagamento através de cartão de crédito. "Se você está sem dinheiro, não tem problema, passe seu cartão aqui".
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SERRA X VEJA.

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Olha o SERRA aí. Se ele faz isso com crianças imaginem o que fará com o povo brasileiro em geral. Esta foto revela o modo dele ser, claramente. E olha que ele está tentando brincar.
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MINISTÉRIO PÚBLICO NO PÉ DA EDITORA ABRIL
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O Ministério Público Estadual acolheu representação do deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) e abriu o inquérito civil número 249 para apurar irregularidades no contrato firmado entre o governo paulista e a Editora Abril na compra de 220 milassinaturas da revista Nova Escola.

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O valor da obscura transação é de R$ 3,7 milhões e soma-se a outras negociatas entre o tucanato e o Grupo Civita, que também publica a revista Veja, principal palanque da oposição ao governo Lula. Se levadas a sério, as investigações do MPE poderão atrapalhar as ambições do presidenciável José Serra.

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O promotor Antonio Celso Campos de Oliveira Faria, designado para o caso, oficiou o órgão do governo estadual responsável pela transação, solicitando que esclareça os motivos da contratação sem licitação e cogitando, inclusive, a suspensão do pagamento.

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Além disso, ele solicitou que a Associação dos Professores do Ensino Oficial (Apeoesp) informe se foi consultada na escolha da revista Nova Escola e se ocorreram reclamações dos docentes em função do fornecimento, sem consentimento, de seus endereços particulares. Por fim, notificou outras editoras que atuam no ramo educacional, consultando-as se teriam condições de participar de um processo licitatório caso este tivesse sido aberto.

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Serra e Civita, uma relação obscura

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Para Ivan Valente, o despacho inicial do Ministério Público já é uma vitória do movimento dos professores frente aos desmandos do governo José Serra na área da educação. "Vamos acompanhar a tramitação do processo e pressionar para que os responsáveis por esta contratação, que lesa os cofres e os interesses públicos, sejam punidos com o rigor da lei".

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Ele lembra que a Secretaria de Educação desconsiderou a existência de outras publicações da área, beneficiando a Editora Abril, não consultou os professores e passou para uma empresa privada os seus endereços pessoas, permitindo inclusive outras destinações comerciais com seus dados particulares - o que é ilegal.

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A compra de 220 mil assinaturas representa quase 25% da tiragem total da revista Nova Escola e injetou R$ 3,7 milhões aos cofres do "barão da mídia" Victor Civita. Mas este não é o único caso de privilégio a este ao grupo direitista.
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O governo José Serra apresentou recentemente proposta curricular que obriga a inclusão no ensino médio de aulas baseadas em edições encalhadas do "Guia do Estudante", outra publicação da Abril. Como observa do deputado Ivan Valente, "cada vez mais, a editora ocupa espaço nas escolas de São Paulo, tendo até mesmo publicações adotadas como material didático.

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Isso totaliza, hoje, cerca de R$ 10 milhões de recursos públicos destinados a esta instituição privada, considerado apenas o segundo semestre de 2008".

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01/05/2009

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ALTAMIRO BORGES
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Enviado por: PAULO GHIRALDELLI JR

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O Filósofo da Cidade de São Paulo
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DIRETO DA FOLHA ONLINE.

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Foto de GILBERTO DIMENSTEIN, jornalista, escritor, sociólogo e escreve na Folha Online.
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01/05/2009
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A PIOR NOTÍCIA DE SERRA
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O aumento da criminalidade em São Paulo --e, especialmente o recorde do número de roubos e maior incidência de latrocínios-- é a pior notícia de toda a gestão do governo Serra.
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A notícia é muito pior do que os indigentes indicadores revelados, há duas semanas, das escolas estaduais, que não demonstraram evolução, mas também não pioraram.
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Não só parou de cair, mas como subiu a taxa de homicídios, depois de uma queda desde 1999. O governo explica que uma das razões pode ser a crise econômica, que aumentou o desemprego. Até agora, porém, a explicação oficial para a redução da violência era a eficiência policial --o que eu sempre questionei, por ver que existiam também ações comunidade, influências demográficas e ampliação da escolaridade.
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Nesse momento em que a curva muda, o problema, na visão do governo estadual, é mais externo do que interno. Pode, em parte, ser verdade. Mas não cola.
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Se não mudar rapidamente esses números, Serra deixará o governo, arranhando uma das maiores conquistas sociais não só de São Paulo, mas também do Brasil --a redução da violência. E será não por uma questão econômica, mas de gestão.
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Por: GILBERTO DIMENSTEIN
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Minha posição:
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Vale observar que a imprensa de um modo geral está criando um escudo em torno do governador SERRA, pois é de interesse dela que o mesmo chegue ao pleito de 2010 sem máculas que possam prejudicá-lo. Basta ver como a imprensa se comportou em relação aos últimos fatos graves envolvendo a polícia de São Paulo. Greve, denúncias de corrupção envolvendo até secretários... e não tocaram no nome de SERRA. Por que será? Quando se fala da polícia do Pará, a governadora é posta na berlinda, justamente. Mas o mesmo não acontece com SERRA.
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Isto é 2010. Istó é a imprensa dizendo de que lado estará na campanha. São interesses de classe e particulares se sobrepondo aos interesses coletivos.
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sábado, 2 de maio de 2009

OS JOVENS RAIOS DE SOL ALARANJADOS - V.

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JOEL, pense bem: Você pode fazer o que você quiser, pensar o que bem entender, disse o ATEU.
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- Mas espera aí e a igreja, e a sociedade, e a minha alma, como poderei conviver com os outros, ir à Igreja, e o pior, quando eu morrer e minha alma for para o “ou topos”, como vai ser se eu me comportar assim? Perguntou o apressado JOEL.
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- Calma, JOEL. Vou lhe dar um conselho. Seja egoísta (mais ainda) e entre para a política. Você vai resolver todas as suas dúvidas existenciais e necessidades materiais.
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- Mas como? A política não é uma atividade que se deve praticar visando ao bem comum e não o aspecto particular? Explica melhor o que você disse.
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- JOEL, você vai fazer política atendendo às necessidades da sociedade, mas não porque você deva satisfazer a sociedade. Ela não é o seu propósito. Mas porque será assim, fazendo política partidária, é que você vai conseguir o que quer. Desse modo você vai matar dois coelhos com uma só cajadada.
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- Não existe Deus, alma, bem social e a igreja é apenas uma instituição que tem a função de manter a organização social com suas verdades, seus valores e suas pregações que dizem como as pessoas devem se comportar para manter a sociedade coesa, harmoniosa, ou seja, para que ela continue a ser sempre do jeito que ela é. A igreja é o “capitão–do–mato” da sociedade. Continuou o ATEU.
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- Meu Deus, por que ainda converso com esse homem? Perguntou–se JOEL mais chocado ainda do que na primeira vez.
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Ele resolveu mudar de assunto e perguntou quem era mesmo aquele homem que havia morrido e estava sendo velado na sala e qual a causa da morte.
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O ATEU disse–lhe que era um homem muito rico e havia morrido de derrame e que ele se chamava PAULO. Havia morado, junto com seus familiares ali presentes, numa época anterior próximo à casa de JOEL.
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- Eu já sei quem é, exclamou JOEL. Bem que notei que aquelas pessoas não eram completamente desconhecidas. Mas como elas não eram muito simpáticas com a vizinhança poucas vezes foram vistas na rua. Viviam enclausuradas dentro de casa.
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Algum tempo depois JOEL reconheceu alguma plausibilidade em algumas idéias do ATEU e deu um novo rumo à sua vida. Entrou para a política e fez aquilo que o ATEU lhe falou.
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Hoje, JOEL não pensa mais em almas. Resolveu ficar com as respostas do “capitão–do–mato” sobre as questões que tantas dúvidas lhe causaram e busca resolver suas necessidades materiais através de um cargo público.
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- As nossas almas são entes cujo significado cada um pode lhes atribuir como bem entender, cada um age como acha que deve agir em relação a elas, mas sem esquecer as consequências dos atos que poderão surgir. Depois, por via das dúvidas, ter que haver com Deus. Ele criou a matéria, mas quis participar dessa criação de forma indireta, aí criou as almas para nos conduzir, como criaturas, ao encontro do Criador. Tá bom, esse negócio de alma é muito complicado. Assim concluiu JOEL a cerca das almas.
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- É melhor ir ver se os homens que estão trabalhando numa reforma lá em casa já terminaram com o serviço. Falou, despedindo-se, JOEL.
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A casa a que JOEL se refere aqui é a casa que algum tempo depois comprara dos familiares de PAULO.
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- Vai, vai com eles, vai JOEL. Almas não existem. Vai cuidar da tua vida. Para que ficar parado, fazendo nada, pensando em almas*? Se Deus existisse nós não seríamos motivo para despertar preocupação n’Ele, não. Teria coisa mais importante para fazer. Diria o ATEU, com certeza, se estive perto de JOEL.
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Quando chegou à nova casa JOEL ficou encantado com o trabalho que os homens fizeram. A pintura estava perfeita. Principalmente a do quarto dele que foi pintado com uma cor especial: amarelo–laranja. Desse modo JOEL poderá todo dia de manhã observar aquela cor encantadora e lembrar do seu passado entre sorrisos amarelos inspirados na cor alaranjada dos raios de sol que hoje o faz lembrar, saudoso, de sua adolescência. Mas uma lembrança dos bons momentos, nada de miséria, só das inquietações metafísicas que terminaram o levando ao “materialismo”. JOEL driblou o medo, as almas e a vida.
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* O ATEU assistiu ao filme “Vida Maria”.
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FIM. (espero).
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A QUEM INTERESSA QUE A VIDA SEJA ASSIM? - IV.

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Cena do filme "Vida Maria".
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Os autores dos três textos a seguir são do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas - I, IFPI - Campus Floriano:
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Do texto a seguir, são:
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Anderson Dias
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Joziette Dias
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Kássia Nayara
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A educação possui valores e finalidades adquiridos ao longo do tempo no meio social. O sentido associado à mesma é logicamente diferente de acordo com o meio e a estrutura social que são os critérios que definem a realidade vivida por determinados grupos, seus costumes e crenças diante das quais eles se posicionarão.
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Passivamente, o homem pode ficar indiferente à situação apresentada, aceitando os problemas e as necessidades, como é claramente retratado no filme “Vida Maria”, no qual a vida é comandada pela necessidade mediada do trabalho e visando a educação como perda de tempo, e demonstrando uma clara submissão as tradições impostas pela sociedade em questão.
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A reprodução do meio cultural já existente retratado no filme reflete a falta de informação e de objetivação surgida a partir da avaliação social e resultando na busca pela educação para transformação, alterando em longo prazo e para melhor o modo de vida preexistente.
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Do texto a seguir, são:
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Savanna Brito
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Bráulio Vieira
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Larissa Barros
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O ser humano engajado de tantos privilégios característicos se destaca também pelo pensar e querer, onde apresenta-se de forma “não passiva”, podendo mudar sua realidade. Pois dentro da mesma realidade encontramos padrões a serem seguidos e difíceis de serem quebrados.
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O filme “Vida Maria” nos remete a uma situação em que a realidade é a mesma com o passar do tempo, onde os personagens são condicionados pelo meio a viverem num “ciclo vicioso”, pois carregam a sina de seus antepassados, onde não existe a perspectiva de mudar o contexto existente. Em que valores e valoração sofrem com as barreiras criadas pelas condições sociais. Aquela criança esperançosa e doce do inicio é afastada brutalmente da curiosidade educacional, levando-a a vida de subsistência e amargura.
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Soluções adequadas para tal ciclo seria uma transformação da realidade a que a protagonista foi submetida, onde a mesma pode tirar de tal adversidade caminhos para a mudança, pois os desejos já foram traçados, basta ações para modificar aquilo que está intacto. “Maria” é marcada pela marginalização econômica e cultural, a opção então seria quebrar fronteiras e lhe ampliar horizontes, estabelecendo objetivos que possam viver em uma realidade transformada.
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Do texto a seguir, são:
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Gardjany da Costa
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Perluayte Sandes
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O filme relata uma realidade bastante comum no Brasil, que descreve a história da vida no sertão, onde a educação dada na escola não é de muita importância e sim, a força braçal. A história também relata a vida de uma garota que ao querer escrever é reprimida pela mãe, como se aquilo que ela estava fazendo fosse besteira, mas pra lá, no meio onde ela vive não convém a ela ter estudos, morando em um local isolado, sem escolas, nenhum sinal de civilização.
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E esta história é passada e geração a geração. Mas isso pode mudar? Eles outro tipo de vida se não aquela, então como eles podem mudar? Só se eles verem outra vida, de outra forma, mas como? Levando para perto deles a educação, ensinando outros valores, outros caminhos, com a educação não vão querer viver mais daquele jeito e sim crescer de outra forma, vão criar novos objetivos de vida, mas isso depende do governo , dos programas políticos, que eles se sensibilizem com esta realidade e levem a educação até essas pessoas.
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A QUEM INTERESSA QUE A VIDA SEJA ASSIM? - III.

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Cena do filme "Vida Maria".
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O que arrancou a capacidade de avaliar da família das marias? A falta de educação, o analfabetismo. O Filósofo brasileiro DERMEVAL SAVIANI diz em seu livro “Educação: do senso comum à consciência filosófica” que “o homem brasileiro, no geral, não sabe tirar proveito das possibilidades da situação e, por não sabê-lo, frequentemente acaba por destruí-las”. E continua “...é preciso que o homem brasileiro aprenda a tirar da situação adversa os meios de sobreviver”.
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A situação a que ele se refere é a situação concreta, real em que vive e, que por não conhecer as várias possibilidades que existem porque lhes são negadas ou disfarçadas, termina agindo mal diante da única com que se defronta. E aí termina destruindo-a por não saber subsistir a partir dela.
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Mas como poderia ele utilizar todas as possibilidades existentes em sua situação (o meio em que está situado, localizado)? Não tem liberdade para tal, pois vive num contexto econômico, o sistema social capitalista, que não lhe permite possibilidades, mais apenas a possibilidade. A cerca disso vale ressaltar que contribuem para essa falta de liberdade a função primacial das igrejas, ou como as estou chamando ultimamente “capitães-do-mato” do sistema social, que ensinam que não se deve desejar mais do que se tem.
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Nesse caso o homem brasileiro necessita ser educado para se libertar dessa condição de subserviência. Aprendendo a se comunicar, a dialogar, debater, convencer e ser convencido junto com os demais. Adquire assim a consciência para ir além do espaço reservado a ele incondicionalmente na sociedade pelos os que dominam a situação.
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Desse modo a educação poderá possibilitar-lhes uma capacidade técnica e intelectual para transformar a sua realidade. O ciclo eterno de miséria será rompido, pois conscientes da situação e das opções eles transformarão as suas vidas, pois ninguém que tenha necessidades e sabendo e podendo escolher desejará continuar a viver como vive a maioria do povo brasileiro.
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Então, assim dá para entender por que essa maioria não tem, e não pode ter, acesso a uma educação de qualidade que lhes possibilitem desenvolver a consciência crítica. Se tiver acesso desejará uma vida melhor (pois conhecerá opções) e isso significa modificar as estruturas econômicas. Nesse caso alguém terá a fatia maior de seu bolo diminuída. E isso PE ruim para estes, ou não é?
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A partir do filme e do texto de SAVIANI solicitei aos alunos dos cursos de Licenciatura em Biologia e Matemática, bloco I, do IFPI – campus de Floriano, que dissertassem sobre a possibilidade de rompimento do círculo vicioso da “Vida Maria” utilizando a idéia de SAVIANI sobre o poder da educação.
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Dentre todos os que fizeram tivemos vários textos excelentes e que me deixaram numa situação de privilégio por ser professor de alunos tão perspicazes. Pedi que três textos fossem enviados para postagem no meu Blogue, o que farei a seguir.
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A QUEM INTERESSA QUE A VIDA SEJA ASSIM? - II.

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Cena do filme "Vida Maria".
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Um filme brasileiro de animação gráfica chamado “Vida Maria” (2006, pouco mais de 9 minutos de duração) realizado pelo cineasta cearense MÁRCIO RAMOS (veja uma pequena mostra em: http://www.youtube.com/user/marcioramose), mostra de forma brilhante, inteligente a vida de uma típica família do agreste nordestino.
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A meu ver, o filme retrata a repetição (não de uma mesma vida), geração após geração, das condições e determinações sociais, políticas, econômicas e culturais da vida de uma família. A história começa mostrando uma criança chamada MARIA, que é como se chamam todas as mulheres da família das gerações passadas até a atual (pois só se modificam porque são compostos: de LOURDES, JOSÉ...), de joelhos em cima de um banco de madeira encostado na parede que dá acesso a uma janela.
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A criança tenta sozinha, através de imitação, escrever seu nome, quando a mãe indignada, pois já havia chamado por ela lá do terreiro da casa, puxa toscamente o seu braço e diz pra ela parar de desenhar o nome e procurar o quê fazer ajudando-a nas atividades domésticas reservadas às mulheres da casa.
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A menina sai e vai fazer as tarefas. O filme sintetiza a rotina de gerações entremeando as mudanças biológicas e fisiológicas que ocorrem na menina até que ela aparece no lugar da mãe tomando o seu lugar na sucessão cíclica. Ela gera muitos filhos e a última cria é uma menina que dará garantia a continuidade da vida maria.
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Na cena final, que é uma forma de continuidade da primeira, dá a idéia da eterna repetição da vida maria. A mãe, depois de interromper a tentativa da filha de escrever o nome, diz: “Fica aí parada, fazendo nada, desenhando nome”. Depois a câmera mostra a mãe da garotinha se dirigindo ao velório de sua mãe. Aí temos a noção que uma geração se foi, mas que a próxima já teve continuidade garantida.
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O filme termina mostrando o mesmo velho caderno em cima da janela com o vento revirando as suas páginas e mostrando todas as tentativas anteriores de todas as marias da família de “desenhar” os seus nomes.
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O lugar em que a família vive é isolado e miserável, como aquelas clássicas cenas de nordestinos famintos mostradas em rede nacional de TV. A casa sem nenhum recurso, vivem exclusivamente da roça e de criar alguns poucos animais. É, enfim, o retrato da miséria a que estão submetidos milhões de interioranos nordestinos.
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Vivem ciclicamente a vida, mas não é esta a idéia de NIETZCHE. Ele propôs que imaginássemos isso individualmente, e se a pessoa constatar que não gostaria que a sua vida se repetisse indefinidamente da mesma maneira poderia agir conscientemente para modificá-la, e passar a agir de tal forma que desejasse a sua repetição indefinida. Para uns, se uma voz lhe dissesse isso (o Eterno Retorno) ela seria um demônio lhe falando, mas para outros seria um deus. Depende da vida de cada um e como a avalia.
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No caso da “Vida Maria” a completa alienação submerge qualquer possibilidade de análise crítica da situação em que estão inseridos. É como se tivessem arrancado deles uma das dimensões essenciais do ser humano, a sua capacidade de avaliar.
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As necessidades não cessam nunca para o ser humano. Quando ele sente, ou torna-se consciente de suas necessidades, é impulsionado a agir. Antes de agir, porém, faz opções (por uma ou outra coisa). Sem essa possibilidade de escolher ele não é livre. Se não é livre agirá sempre a partir dos mesmos condicionantes e determinantes. Vira um escravo da situação.
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A QUEM INTERESSA QUE A VIDA SEJA ASSIM? - I.

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Cena do filme "Vida Maria" do cineasta MÁRCIO RAMOS.
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O Filósofo alemão NIETZSCHE (1844-1900) sugeriu a possibilidade, através da teoria do “Eterno Retorno”, da repetição cíclica de nossas vidas em “milhões e milhões de vezes” tal como a estamos vivendo.
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Seria assim: a nossa vida teria uma existência eterna através da repetição de tudo o que já vivemos, de todos os atos que praticamos, do jeito que os praticamos. A partir das escolhas que fizemos, pelos motivos que tivemos, em todas as circunstâncias seriam revividos eternamente por nós. Será que estamos dispostos a viver a nossa vida eternamente do mesmo jeito que a temos vivido?
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NIETZSCHE diz que só o fato de pensarmos essa possibilidade já seria suficiente para transformar as nossas vidas. Sabe por quê? Será que queremos isto indefinidamente? Passar por tudo de novo? E ele continua: “Age sempre de modo a aceitar o eterno retorno dos atos que julgaste bem realizar”. Que peso, heim? E ele segue: “Faze o que queres, mas faze o que queres aceitando as conseqüências de teu ato e sobretudo não esqueças que este ato, repeti-lo-ás, nas existências sucessivas.”
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NIETZSCHE fala de julgar e esse julgamento só é possível diante das opções, isto é, o julgamento moral de nossos atos só é válido e possível se tivermos liberdade para escolher entre umas e outras coisas. Se eu não tenho liberdade para fazer escolhas conscientemente não posso ser julgado moralmente. Se a minha vida é do jeito que é porque escolhi viver desse modo conscientemente, então arcarei com as conseqüências.
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Se não tenho consciência explícita, clara da realidade em que estou inserido não terei como fazer escolhas porque não conheço as opções. Essa condição pode ser conseqüência de minha ignorância, e “a ignorância é talvez a raiz de todos os outros males, porque fere o homem no que lhe é mais específico: a racionalidade.”, como diz o Filósofo brasileiro ANTONIO RAIMUNDO DOS SANTOS.
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sexta-feira, 1 de maio de 2009

OS JOVENS RAIOS DE SOL ALARANJADOS - IV.

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JOEL resolveu deixar de mão as suas inquietações existenciais e foi cuidar da vida. Tinha que ir fazer uns “bicos” para conseguir algum dinheiro para a sua subsistência, pois para a sobrevivência os de casa já tinham ido para a lida.
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Foi fazendo “bico” que ele viveu até então. Nunca entendeu que ter uma profissão qualificada era o caminho que a moral social, aquela que ele despreza, sempre valorizou para se poder ter uma casa bonita como a do seu vizinho.
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Ao meio dia já havia retornado. Não tinha conseguido nada. Estava morrendo de fome, no entanto o almoço ainda não estava à mesa. Pelos costumes da casa ele tinha que esperar os de casa chegar da lida. Aproveitou e foi tomar banho para vestir a farda e ir à droga da escola onde estudava no turno da tarde.
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Rotineiramente os anos se passaram sem surpresas. Só o sol às vezes iniciava os dias com aqueles tímidos raios alaranjados. E isso, às vezes, o fazia lembrar daquelas coisas. Mas logo esquecia de tão repleta de cotidiano que estava a sua vida.
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Mas certa vez, JOEL conheceu um cara que era ateu. Esse cara lhe disse, numa conversa que tiveram regada à bebida, que Deus não existia. Ele ficou chocado com aquilo, tão certo de suas verdades religiosas. E ficou pensando nas coisas que havia lhe dito aquele sujeito asqueroso, idiota, imbecil.
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- Como pode um filho de Deus dizer que Ele não existe? O que seria do mundo se não fosse Deus? Tudo estaria perdido. Haveria guerras constantes entre os povos. Violência entre os indivíduos. Violência no trânsito. Assaltos. Ninguém respeitaria ninguém. Todo mundo em busca de seus interesses particulares. Sequestros. Tiroteios nas vias públicas. Tráfico de armas e de drogas. Pedofilia. Parricídios. Homicídios. Fratricídios. Infanticídios. Destruição da natureza e de tudo por dinheiro. Meu Deus! Seria terrível se Deus não existisse. O homem viraria o “lobo do homem”. O homem seria um ser incontrolável. O homem se desumanizaria. Não seria possível viver assim. Pensou JOEL.
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JOEL ficou mais chocado ainda quando pensou nas consequências para o mundo daquilo que o ATEU lhe disse. Paralisado, voltou a si e resolveu não pensar mais nisso.
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- Deus me livre desse mundo assim. Disse o atordoado JOEL.
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Foi quando seu “daimon” voltou a dizer que ele não deveria parar agora.
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JOEL não sabia, mas seu “daimon” era a sua consciência moral com todos os valores e costumes neoliberais. Ah, se JOEL soubesse disso antes. Ele teria percebido que já vive num mundo assim. Que todo aquele cenário apocalíptico que ele imaginara que seria o mundo sem Deus, na verdade era o mundo em que ele vivia.
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Muito tempo depois, num velório de um desconhecido, JOEL voltou a encontrar o ATEU. Chegou todo condolente e foi confortar os familiares. Mas antes havia cumprimentado o único conhecido que avistara ali, o ATEU. Perguntou a ele quem eram, dentre os presentes, os familiares e foi dizer-lhes de sua consternação. Logo começou a cumprimentar os demais presentes com um sorriso amarelo e gestos de intimidade.
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Chamou o ATEU para uma conversa mais reservada no quintal da enorme e linda casa onde havia um grande terraço de cimento com umas cadeiras de vime embaixo de um grande pé de manga.
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Após acomodarem–se, JOEL pediu ao ATEU para falar mais sobre aquela ideia que ambos haviam conversado há alguns anos quando se conheceram num churrasco no sítio de um amigo em comum. O ATEU sorriu e se lembrou daquele porre dionisíaco que ambos haviam tomado nesse dia.
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Continua e termina amanhã.
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VOCÊ COMERIA?

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Estas são fotos de docinhos feitos de açúcar. Você teria coragem de comê-los? É intrigante, não é? Mesmo que saibamos que são doces, há uma resistência e não conseguimos nem pensar sobre o assunto direito. E se tiver com muita fome, uma terrível fome? É impressionante.
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PIADAS.

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O Filósofo PAULO GHIRALDELLI JR. em auto-retrato.
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Algumas piadas enviadas por ele, são irrestíveis. Vejam:
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- Doutor, quando eu era solteira tive que abortar seis vezes. Agora que casei, não consigo engravidar.
- Seu caso é muito comum: você não reproduz em cativeiro.
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No psiquiatra:
- Doutor, tenho complexo de feia.
- Que complexo que nada.
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- Meu médico é um incompetente. Tratou do fígado de minha esposa por vinte anos e ela morreu do coração.
- O meu é muito melhor. Se trata você do fígado, você morre do fígado.
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O psiquiatra incentiva o paciente:
- Pode me contar desde o princípio...
- Pois bem, doutor! No princípio eu criei o céu e a terra...
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Paciente chega ao médico e se queixa:
- Doutor, estou com dor aqui do lado direito da barriga e meus olhos ficaram amarelados!
O médico responde:
- Muito bem, e o sr. bebe?
- Obrigado, eu aceito uma dosezinha!
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Psiquiatra para o paciente bebum:
- O senhor vai parar de beber cerveja, durante um ano só vai beber leite.
- Outra vez, doutor?
- O que, o senhor já fez esse tratamento?
- Já, durante os primeiros meses da minha vida...
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quinta-feira, 30 de abril de 2009

OS JOVENS RAIOS DE SOL ALARANJADOS - III.

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- Não! Não pode ser isto também. Porque um ser eterno que foi criado por outro ser eterno não prevaricaria. Não faz parte das características de um ser como a alma o desejo de se tornar inferior ao que é. Talvez nem mesmo os seres que nasceram neste mundo desejem tal coisa. Pensou, JOEL.
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- E se elas resolveram brincar de Deus e tiverem criado este mundo em que vivemos para testarem suas habilidades criadoras? Boa pergunta! Exclamou. Mas espera aí, neste caso Deus não teria criado o mundo completamente, teria deixado espaços dando a oportunidade de outros seres complementarem seu serviço. Deus não seria perfeito? Que é isso, JOEL! Sorriu ele disfarçadamente. Esta hipótese também não resistiu.
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- Agora vou resolver de vez a questão. As almas habitam os nossos corpos, mas nós temos a liberdade de fazer o que quisermos independente do que elas possam desejar. Mas isto é o livre arbítrio, JOEL. Esta é uma resposta que já está posta há séculos. Pensar isso só pode ter sido influência do diabo da religião. Pensou decepcionado.
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- Ei, e se for isto mesmo? E se o ser humano for a mistura, a união entre um ser bom e perfeito de uma substância incorpórea e um ser mau, imperfeito e corpóreo? Isto é o ser humano? Perguntou-se. É. É sim. Mas espera aí, isto não responde à questão levantada sobre o motivo da vinda da alma de seu mundo para este. Por que Deus criaria dois seres com características substanciais antagônicas e os misturariam? Qual o objetivo disto? Não está claro. Falta uma finalidade, um propósito compreensível racionalmente.
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- Puxa vida, pra que fui pensar nessas coisas. Agora não estou conseguindo uma resposta minimamente coerente, minimamente racional. Talvez tivesse sido melhor ter ido dormir e continuado a aceitar as respostas sobre este assunto que já estão aí prontas há séculos. Eu teria tido uma boa noite de sono e tudo teria continuado do jeito que sempre foi. Não há sentido em buscar respostas novas para velhas questões. E mesmo que eu encontre alguma resposta satisfatória o mundo vai continuar do mesmo jeito.
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JOEL nunca gostou de estudar, nunca. Mesmo que sua vida dependesse disso para mudar. Se ele compreendesse que se todos nós procurarmos agir na perspectiva de mudar as coisas como são para que elas se tornem como desejamos que elas sejam, talvez hoje tivéssemos orgulho do lugar onde moramos. Se todos fizerem a sua parte as coisas podem ser mudadas.
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Mas ele sempre preferiu apostar na sorte. No caso, a sua sorte para mudar a sua vida. Assimilou a moral da sociedade contemporânea que o deixa livre das preocupações sociais e se concentre apenas na avaliação de seu comportamento em busca de seus interesses particulares. Egoísta, individualista perdeu as referências históricas e sociais. Só pensa em si e em ter uma casa bonita como a do vizinho. Não importa como. No âmbito do “politikós”, para a moral neoliberal, a moral contemporânea, qualquer maneira vale a pena. Que se dane a religião. Que se dane a moral crítica, a moral humanista.
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“JOEL, vem tomar o café”. Reclamou a moça outra vez. Pois já estava na hora de lavar a louça e iniciar os preparativos do almoço. E JOEL ali sentado querendo atrapalhar a rotina com aquelas questões metafísicas. Que por isso mesmo não têm muita utilidade no dia–a–dia. Deve ser coisa de quem não tem o que fazer. Mas se a moça soubesse o que detinha JOEL na calçada sentado naquela cadeira dura e sem falar com ninguém, talvez tivesse ficado mais aborrecida ainda.
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Continua amanhã.

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quarta-feira, 29 de abril de 2009

OS JOVENS RAIOS DE SOL ALARANJADOS - II.

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JOEL estava confuso e esta confusão mental foi tão marcante que chegou a fazer parte de seu caráter pelo resto da vida. Ainda bem que o jovem crescerá e conhecerá várias psicólogas. Certamente elas poderão ajudá–lo de alguma maneira e de graça (eita).
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Como pode uma alma deixar a sua morada perfeita para habitar um mundo imperfeito? JOEL, naquele momento não quis recorrer a ninguém, estava concentrado. Quis ele mesmo resolver essa questão.
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De repente ele desencostou a cadeira da parede e a pôs de quatro pés no chão, agora estava mais firme. Ele achou que a firmeza do chão poderia fazê–lo mais hábil na busca das tão desejadas respostas, mas as respostas estavam difíceis de ser encontradas. “Por que não levantar hipóteses e testá–las?” As almas vêm a este mundo para testar o seu caráter, mas se elas vivem num ambiente de justiça e harmonia e são incorruptíveis, não faz sentido testar o caráter. Até porque se não fossem completamente honestas não seriam almas, porque a honestidade é um pré–requisito tanto para ser alma quanto viver no “ou topos”; visto que para ser alma tinha que ser absolutamente incorruptível. Se assim não fosse seria outra coisa e não alma.
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A religião de JOEL lhe ensinou que as almas são imortais e eternas ao mesmo tempo em que foram criadas por um ser imortal e eterno. Mas ele não quis questionar como um ser que é incriado, portanto eterno, pode criar um ser imortal e eterno.
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– Para com isso, JOEL! Não é esta a questão. Disse a si próprio em um tom de voz alterado.
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Ao que a moça que havia chegado calmamente à calçada para chamá–lo para tomar o café da manhã, ficou espantada. JOEL não era de falar só. O que estaria acontecendo? O que estaria pensando? JOEL disse que iria depois. Só não disse depois de quê.
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A primeira hipótese não tinha sentido visto que as almas não estariam passando por um teste de caráter quando vêm a este mundo cheio de imperfeições, corrupções, desarmonias... Mas qual o motivo?
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– Ah, já sei! Elas vêm ao mundo porque estão entediadas de tanta harmonia, tanta paz, tanta justiça, tanta honestidade, tanta perfeição e resolveram conhecer outras plagas. Elas não vieram para ser testadas, mas por um desejo próprio de conhecer outro modo de ser. Talvez seja isto.
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Mas aí ele se lembrou que tinha que testar esta possibilidade.
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– Ah, não.
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Talvez resolvesse logo essa questão e fosse logo tomar o café. Mas aí uma voz interior lhe disse: “Deixa de ser preguiçoso, JOEL. Não se vá. Não desista fácil das coisas. Não faça isto”.
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A voz interior era o seu “daimon”. Só que ele não sabia disso. É um segredo que o conhecimento não quis lhe revelar. Essa voz não diz como JOEL deve agir, o que ele deve fazer, mas sempre o que não deve.
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Continua amanhã.
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IMORALIDADE?

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Tenho visto e pensado sobre vários acontecimentos lamentáveis ocorridos em Floriano e em outras cidades. Aqui a própria polícia admite, através dos meios de comunicação, que o número de ocorrências que envolvem assaltos, roubos e arrombamentos tem aumentado consideravelmente.
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Como vítima dessa violência, porque tive minha casa arrombada em janeiro, percebi que não houve nenhuma notícia em que as pessoas poderosas, ricas e influentes da cidade tenham também sido vítimas.
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Os sem-poder, sem-influência, sem-dinheiro são os preferidos dos bandidos, pois só pessoas desses outros níveis sociais e econômicos registram as ocorrências e são notícia. Me ocorreu de fazer uma pergunta que soa imoral.
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Por que os bandidos não assaltam também os outros? Será preciso suplicarmos para isso?
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Por que a pergunta parece imoral? Porque ela apela, não para a democratização das vítimas, mas para a perda do patrimônio dos outros também. Poderiam perguntar que absurdo é esse.
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É que só assim nós poderíamos nos livrar dos bandidos. E por quê? Porque com poder, dinheiro e influência as coisas não iriam ficar por isso mesmo. Os bandidos iam ser presos e todos os cidadãos se beneficiariam com essa medida. Talvez até meu DVD, minha TV, poucas peças de ouro, meu barbeador aparecessem.
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Seria melhor para todos.
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Mas é claro que isso é ironia. Estou sendo irônico e aproveitando para reclamar do fato que temos que acordar várias vezes durante a madrugada para observar se está tudo bem. Reclamar também que a conta de energia aumentou porque as lâmpadas têm que ficar acessas.
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P. S.: Como podemos convencer as pessoas argumentando que o relativismo completo da moral é incorreto? As classes têm interesses antagônicos até naquilo que deviria ser interesses de todos. Aí cada um começa a pensar em agir defendendo os seus interesses independente dos interesses dos outros. É difícil assim.
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terça-feira, 28 de abril de 2009

OS JOVENS RAIOS DE SOL ALARANJADOS - I.

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A partir de hoje publicarei o meu conto anunciado sábado 25/04/2009. Ele foi escrito do dia 23 para o dia 24/04/2009. É pura ficção, história e personagens. Atrasei porque tive que ler uns textos sobre discurso direto e discurso indireto por orientação de colegas que me ajudaram nas correções. A quem já agradeci em off. Mas vamos lá. Segue o conto:
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OS JOVENS RAIOS DE SOL ALARANJADOS
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Num dia qualquer, em meados da década de 1980, os primeiros raios de sol penetraram suavemente algumas nuvens alaranjando aquele dia que sucedeu a noite de tormentosas dúvidas.
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Os raios de sol começavam a clarear as obscuras perguntas que invadiram a cabeça de JOEL. Ele estava sentado numa cadeira dura que encostara à parede da frente de sua casa. Envolvido em pensamentos soturnos nem se dera conta que nada respondia à maioria dos notívagos que retornavam das farras e lhe cumprimentavam.
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Sem dar a menor importância às pessoas à sua volta quando está absorto em seus próprios interesses, o jovem JOEL voltou a repensar todos os pensamentos obscuros que tinham lhe ocupado por toda a noite anterior. Começou a refletir com algum grau de sistematicidade.
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Assíduo freqüentador de pregações religiosas desde criança, não por ser muito simpático e adepto de tais valores morais, mas por ser impelido, como todo jovem o é no maior país católico do mundo, a se acostumar a uma formação cristã.
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Este dia, simbolicamente, representou o início da inelutável fase na vida de todo jovem que questiona os seus costumes. JOEL se perguntou:
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– Se todo ser humano tem uma alma, e se toda alma é imortal, em que lugar do(s) universo(s) ela teria estado antes de penetrar no corpo dele? Espera aí, disse JOEL consigo próprio, essa pergunta pode ensejar conclusões maledicentes. Vou reformulá-la. Se há uma alma imortal dentro de mim que sou mortal, antes de eu nascer onde ela teria existido? Em que dimensão? Numa dimensão espacial–geográfica diferente da que eu vivo? Na mesma dimensão que eu vivo, mas num lugar não sabido? Ou numa dimensão puramente abstrata, projetada, desejada?
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O sol, já nesta hora, tinha despejado toda a sua luz em cima deste lado da terra e sobre a cabeça de JOEL.
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Tudo o que teria feito JOEL passar a noite em claro começava a ficar mais evidente. Se as almas vivem num lugar de tempo sem começo e nem fim, de espaço indeterminado e incompreensível, se neste “ou topos” tudo é lindo e maravilhoso, se tudo é verdadeiro e correto, se tudo é perfeito e incorruptível, se tudo é vivo e divino, por que as almas viriam para uma realidade que seria apenas uma cópia imperfeita de um “ou topos” assim?
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JOEL estava intrigado com isso, pois as respostas que resultariam de sua reflexão poderiam ter implicações e determinações indeléveis em sua vida, no seu vir–a–ser, pois entender as razões e condições da vida, do que pensava e falava que até esta época eram percebidas apenas como explicações inquestionáveis, era fundamental.
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Ele queria entender o sentido e significado de tudo aquilo. Por que as coisas tinham que ser de um jeito e não de outro? Por que para uns era muito importante saber o que era certo e o que era errado? Por que uns viviam de um jeito e outros tantos de outro? Por que a casa do vizinho era melhor do que a sua?
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O jovem atormentado tinha que resolver tais questões existenciais para poder decidir que rumo dar à sua vida. Afinal, o mundo em que vivemos é um período, um modo de morrer temporariamente que toda alma tem que enfrentar obrigatoriamente em suas existências? O que elas veem fazer aqui é uma espécie de purgatório por causa de alguma pisada de bola que deram no mundo perfeito? Se lá tudo é perfeito, verdadeiro e incorruptível, como podem pisar na bola?
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Continua amanhã.
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