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quarta-feira, 26 de junho de 2013

PARA A ELITE, "ISSO JÁ ULTRAPASSOU OS LIMITES". NA VERDADE, É APENAS O COMEÇO.



Para a grande mídia e a elite isso não é mais suportável, “isso já ultrapassou os limites”, como diria editorial de O Globo.



Quando eu disse no Facebook que o cardápio de reivindicações estava muito extenso e que isso levaria as manifestações de junho ao desgaste antes mesmo de chegar ao objetivo, eu quis dizer que as razões que levaram parte da classe média às ruas para lutar por melhorias em sua qualidade de vida terminaria por incluir reivindicações que bateriam de frente com os interesses da classe que domina este país e aí as manifestações entrariam num campo onde não devem tocar.

A grande mídia, a quem chamo de Partido da Mídia Brasileira (PMB) – Globo, Veja, Folha, Estadão, Band, SBT - que controla e monopoliza as opiniões e as verbas publicitárias do país, especialmente as Organizações Globo que detém cerca de 60% destes dois itens, só daria abrigo, vez e voz aos manifestantes até que nesse cardápio não contivesse protestos contra os interesses, valores e objetivos da classe a que o PMB pertence.

Bastou os manifestantes empunharem novos cartazes nas últimas manifestações reivindicando reforma agrária, reforma urbana, justiça social e fim das desigualdades econômicas, fim do capitalismo para que o PMB dissesse basta. Já estão ultrapassando os limites. Já deu. Leia um comentário sobre o editorial do jornal O Globo mostrando isso clicando AQUI.

O PMB já tinha chegado ao seu objetivo que era, através do legítimo e democrático direito do povo de lutar para que suas necessidades, interesses e objetivos fossem garantidos por meio das manifestações, desgastar a imagem do governo federal a quem o PMB faz ininterrupta oposição. Quando as manifestações tinham esse cenário “controlado” pelo PMB o povo foi incitado a ir às ruas e lutar
.
Nesse cenário não havia bandeiras que diziam respeito ao PMB. O PMB não dá ponto sem nó. A classe social que o PMB representa não utiliza transportes coletivos urbanos, não utiliza hospitais públicos, escolas públicas, moradias populares, nada disso lhe diz respeito. Então, por que o PMB estava dando vez e voz às manifestações?

Certamente para garantir um princípio basilar do tipo de democracia criado pelos que compõe essa classe social, ou seja, a democracia burguesa. E também para fazer o que faz diariamente: oposição ao governo federal.

Liberdade individual, propriedade privada, livre comércio, acúmulo de riqueza, estado mínimo são valores caros a esta classe social. E quando o povo quis usar do princípio da liberdade de se manifestar o PMB não poderia negar-lhe. Não poderia e não pode dizer que vale primacialmente para ela (elite).

Entra aí uma das características do jogo ideológico: a generalização. Os princípios que interessam à elite são colocados através do PMB para o povo como se fossem do interesse dele também. Isto é feito de tal forma insistente que o povo termina aceitando e defendendo como se dissesse respeito a ele também.

Mas voltemos às manifestações.

Não interessa ao PMB defender bandeiras contrárias a si mesmo, e por isso já está desestimulando a continuidade das manifestações focalizando exponencialmente os atos de vandalismo e violência. Além, é claro, de estar, com isso, defendendo o direito à propriedade privada, um de seus princípios basilares. Não se fala mais em “maioria pacífica e apartidária”. O discurso está mudando aos poucos.

Quando os manifestantes começaram a falar de reformas estruturais, as citadas acima, o interesse do PMB pelas manifestações arrefeceu. A Rede Globo na última quinta-feira, 20.06.2013., transmitiu 4 horas sem interrupções as manifestações pelo país em horário nobre.

Isto nunca acontece. Para manter a programação do horário nobre ela marca os jogos para as dez da noite. Hoje, a cobertura das manifestações não passa de alguns poucos minutos, e aborda principalmente os atos de violência, vandalismo e roubos.

Mas não dá para divulgar no meio de uma massa que não foi politicamente bem educada as bandeiras da justiça social e do fim das desigualdades econômicas. Se essas duas bandeiras forem empunhadas prioritariamente pelos manifestantes o PMB estará em risco como membro da elite, e a própria elite inclusive.

É que as massas têm o poder de fazer pelo voto uma reforma estruturante. Quando a presidente Dilma sugeriu na segunda-feira, 24.06.2013., a realização de um plebiscito para discutir a reforma política. A Globo e o PSDB são contra hoje, mas já defenderam o mesmo instrumento no passado (clique AQUI). Isto daria ao povo o direito de decidir sobre o que a Globo e o PSDB querem restringir ao máximo a participação popular para resguardar seus direitos elitistas.

Fazer reforma agrária é dividir terras produtivas. Os senhores feudais do capitalismo não querem ouvir falar disso. Quanto mais concentrada a terra produtiva mais riqueza acumulada e concentrada haverá.

Reforma urbana? Dividir os espaços sem uso da cidade para dar oportunidade ao povo de ter moradia minimamente digna e próxima ao local de trabalho? O PMB responde: que vá morar na mais longínqua periferia (aquilo que fica no entorno, ao redor do centro) só desse jeito os empresários de empresa de ônibus coletivos urbanos poderão acumular e concentrar a riqueza.

Justiça social? Que bandeira mais sem sentido. Diria o PMB. Pois os trabalhadores devem morar bem longe dos donos da cidade, lá na periferia. Quem já viu fazer sentido, todas as pessoas serem tratadas como iguais nas instituições políticas, econômicas, judiciais, culturais? As pessoas são diferentes e, por isso, devem ter tratamento diferente em tudo, diria de novo o PMB. Pois somos uma sociedade de poucos privilegiados.

Luiz Felipe Pondé, filósofo da elite brasileira, disse em tom de chacota no programa “De Frente com Gabi” que não tolerava ter de viajar de avião nos dias de hoje porque os aeroportos estavam lotados de pessoas da classe média e trabalhadora com seus hábitos e costumes esquisitos e mal educados e que temia que alguém lhe pisasse o sapato.

Para que justiça social? É cada um na sua. Povo na rodoviária e a elite no aeroporto. Povo na escola pública bem afastada e a elite nas melhores escolas privadas no centro. Povo nos longínquos conjuntos habitacionais e a elite nas suas casas espetaculares e bem protegidas no centro da cidade. É assim que pensa o PMB.

Fim das desigualdades econômicas? O que o povo tá querendo com essa bandeira nas manifestações? Igualdade econômica significa o fim do capitalismo. Se pobre tivesse muito dinheiro quem iria ser trabalhador para produzir, acumular e concentrar a riqueza para a elite? Quem iria ser explorado?

Não dá certo, diria o PMB. O nosso sistema social e econômico foi criado e desenvolvido para privilegiar os que concentram a riqueza. Não há espaço para todos. Igualdade econômica é um sonho ilusório.

Se todos os 7 bilhões de habitantes de nosso planeta passassem a ter as mesmas condições e nível de consumo e bem-estar dos ricos a terra não teria condições de fornecer matéria prima e alimento para esse contingente. Seria necessário que o planeta fosse sete vezes maior do que é para suportar essa ilusória igualdade. Ah, não é permitido atualmente a cerca de um terço desse contingente se alimentar correta e minimamente.

Quando as pessoas começaram a pôr em pauta essa discussão o interesse pelas manifestações se arrefeceu, pois o PMB não quer saber seriamente de discutir as necessidades urgentes do povo. O que se queria mesmo era fazer proselitismo político pegando carona nos novos desejos e necessidades das classes média e pobre.

Antes as pessoas tinham muito pouca moradia, hospitais, escolas, transportes.

Até 2003, cujo orçamento é de 2002 (FHC), já incluídos os dois governos do PSDB (partido que representa os interesses da elite e do PMB), os investimentos em educação eram de 32 bilhões de reais. A partir de 2004 no governo Lula esse valor foi sendo elevado substancialmente ano após ano até chegar ao valor de 90 bilhões em 2012 no governo Dilma.

Fernando Henrique Cardoso (FHC) governou este país por dois mandatos consecutivos e pôs em prática todo o receituário econômico que o PMB diz que o governo Dilma deveria seguir para levar o país aonde deveria estar. Pois bem, seguindo esse mesmo receituário (neoliberal), já que FHC é um filhote ideológico da elite e seu defensor, o Brasil quebrou três vezes.

Por três vezes FHC foi se ajoelhar perante o FMI para endividar ainda mais o Brasil e tirá-lo da insolvência que ele mesmo causou (clique AQUI). Com Lula e Dilma, e assim já se passaram 10 anos, alguém já ouviu falar de FMI, de crise econômica?

As crises são insistentemente criadas pelo PMB. Já houve a crise midiática dos estádios da copa, a crise sem fundamento de apagão que não haverá, a crise da inflação que, afinal, está dentro da meta, segundo o IBGE. As crises que existem são criadas ideologicamente para desgastar o governo que não reage de forma dura e direta. Fica titubeando e deixando o PMB deitar e rolar.

O país continua seguindo em frente apesar de as grandes economias do mundo estarem em crise econômica profunda desde 2008.

FHC em oito anos construiu 8 escolas técnicas, e por força de lei, pois cada estado deve ter pelo menos uma. Como alguns estados foram divididos e se tornaram dois, então, forçado pela lei, ele teve de construí-las.

Lula e Dilma, de 2003 até 2012, construíram juntos 259. Desde D. Pedro II até FHC foram construídas apenas 140 escolas técnicas federais, ou atualmente Institutos Federais.

Em consequência dessa política educacional, no período de 2003 a 2012 mais de 2 milhões de brasileiros de baixa renda conseguiram chegar à universidade através dos programas de acesso criados pelo governo federal. Muita gente está numa universidade devido às políticas educacionais e econômicas dos governos Lula e Dilma.

Quem valorizou a educação pública, a elite, o PMB ou os dois governos trabalhistas? Eu seria muito injusto e ingrato, dois horríveis defeitos, se não reconhecesse.

Reconhecer não significa ser devedor. Tanto é verdade que as pessoas querem mais, muito mais. A classe trabalhadora passou 500 anos atolada em miséria, morando em condições às vezes desumanas, com salário de 100 dólares (cerca de R$ 220,00) na era FHC, sem escola pública de qualidade suficiente para que 2 milhões de pobres se preparassem para a universidade.

Esse povo quer mais, necessita de mais e foi às ruas manifestar democraticamente esse grito de cobrança. Já deveria ter feito isso há mais tempo.
           
Durante os dois governos do PSDB (FHC) nenhuma universidade nova foi construída. De 2003 até 2012 foram construídas 63. Os pobres que estão nas universidades conseguiram o acesso devido às mudanças nos rumos da aplicação do dinheiro público. Na era FHC o dinheiro público ia quase que completamente para os bancos, ou seja, para a elite.

Uma das principais bandeiras das manifestações pede pelo fim da corrupção. A presidente Dilma propôs que a corrupção fosse tratada como crime hediondo. Com isso ela foi além do grito das ruas e bateu de frente com os interesses do PMB.

A bandeira pelo fim da corrupção não contempla, incompreensivelmente, o apelo pela punição aos corruptores. A palavra corrupção está sempre associada exclusivamente, nos discursos das manifestações, aos agentes públicos (funcionários públicos e políticos). Nunca às pessoas das empresas que são a outra ponta do crime.

Essa bandeira empunhada do jeito que está não é apartidária coisa nenhuma. Tem um partido sim, o partido da falta de conhecimento e compreensão da realidade de forma completa e justa.

Quando uma empresa não entrega o objeto que o cliente comprou, é corrupção. Uma empresa que anuncia um produto por um preço e vende por outro, é corrupção. Uma empresa que entrega um produto com defeito, é corrupção. Uma empresa que sonega impostos, é corrupção.

Uma empresa que emite uma nota fiscal atestando que prestou um serviço a um agente público e coloca um preço muito maior do que o real para que o agente justifique o roubo, é corrupção. Uma empresa que sonega impostos, é corrupção (leia na segunda foto desta postagem como a Globo pode falar de honestidade quando ela é acusada de sonegar impostos: 2,1 dois bilhões e cem milhões de reais).

Quem se prejudica com isso? A sociedade, pois os péssimos serviços e a sonegação a atinge de cheio. Tanto direto quanto indiretamente. Lutar por mais recursos para a educação e a saúde é uma luta indissociada da luta contra a corrupção. O dinheiro sonegado deveria ser investido para solucionar as necessidades reivindicadas.

Quem é contra o endurecimento e a tipificação da corrupção como crime hediondo é porque deseja, pensa ou já pratica atos corruptos, ou porque alguém muito querido se encontra nessa mesma situação. Alguém acredita no fato de que o PMB não tenha ninguém assim sob a sua proteção?

O ex-senador Demóstenes Torres era o símbolo da honestidade e eficiência política e profissional apresentado pelo PMB. Ele era sempre exposto quase que diariamente como o ícone do moralidade midiático. Deu no que deu, né? Jose Serra (PSDB), eterno candidato a presidente, foi denunciado no livro “A privataria tucana” (denúncias documentadas) como um dos líderes do maior caso de corrupção que já houve neste país.

Corrupção ser crime hediondo, aí já foram longe demais. Não é para tanto, diria o PMB.

Outra bandeira ausente nas manifestações e que joga luz sobre a falta de investimento em educação, moradia, saúde, transporte... é a bandeira do monopólio midiático.

De 2000 a 2012 os três últimos governantes, FHC, Lula e Dilma, aplicaram R$ 10.716.883.603,20 (Dez bilhões). Só as Organizações Globo ficaram com 54,7% desse total, ou seja, R$ 5.863.488.865,02 (cinco bilhões). Todos os outros meios de comunicação do país ficam com menos da metade de todo o recurso.

Quantos hospitais, escolas, casas, creches, estradas... dariam para ser construídos com esse dinheiro? Cadê a indignação com esse disparate também? Cadê os pedidos de CPI da Mídia?

Alguém viu algum canal de TV mostrando alguma bandeira com esse pedido? Alguém viu uma bandeira com essa cobrança?

Isso mostra uma coisa, a meu ver. A falta de conhecimento verdadeiro e o mais completo possível da realidade como fundamento essencial para se fazer manifestações livres e democráticas. Pois a meu ver faltou muito de ambos.

A falta de conhecimento limita as opções e as põem restritas às que o PMB deseja. Como aconteceu. Os manifestantes só empunharam para as câmeras as bandeiras que o PMB queria que empunhassem.

A falta de democracia ampla se mostrou quando o cardápio de reivindicações foi estendido até chegar nos confrontos ideológicos apontados acima. Só pode falar daquilo que pode ser falado.

A longa lista de reivindicações é como um texto de internet, não pode ser longo porque as pessoas, em geral, perdem o interesse. Fiz este de propósito para demonstrar.

Por que não buscar fazer fóruns de discussões com especialistas nas principais áreas de interesse dos manifestantes para que as manifestações tivessem credibilidade suficiente para convencer de que tudo não passa de um jogo midiático?

Quantos manifestantes discutiram em assembleias as pautas? Quantos foram orientados com dados exatos por especialistas sobre as principais deficiências? Quantos sabiam exata e verdadeiramente o que estavam reivindicando? Vi faixas que diziam “Queremos ciclovias”, “Queremos ter direitos”.

Bom, deu no que deu. Vamos aguardar as respostas às reivindicações. Se o legislativo, o judiciário e o executivo não se mexerem satisfatoriamente que voltem as manifestações. Mas tomara que, ao voltarem, sejam pontuais e unificadas. Todo o país deve fechar acordo em torno das mais urgentes e inescapáveis.

Se voltarem pautados pelo PMB, como foi agora, servirão apenas como proselitismo político. Se voltarem com o mesmo extenso cardápio perderão a credibilidade. E nesse caso é o próprio PMB que pedirá à polícia para descer o cassetete. Aliás, como ela fez (em editorial a Folha de São Paulo sugeriu vigor na repressão, clique AQUI) no início quando a polícia de São Paulo (do PSDB) reprimiu violentamente as manifestações e causou indignação e revolta o que incendiou o país.

Sou plena e completamente a favor das manifestações. Mas que elas devem ter uma pauta unificada, discutida e centrada nas urgências prementes. Depois de atendidas e resolvidas deve-se reiniciar todo o processo com outras pautas. Democracia é isso. Democracia burguesa não suporta cardápio extenso demais.

Um exemplo que posso citar é a greve unificada dos professores das universidades federais e dos Institutos Federais. Quando fomos às ruas a pauta restrita às necessidades mais urgentes já tinha sido discutida com dados exatos e corretos. Definimos tudo antes e enviamos ao governo. Como não fomos atendidos partimos para a greve. Só assim conseguimos a maior parte dos objetivos.

É a democracia burguesa numa sociedade de poucos privilegiados. É assim. O resto é sonho irreal.  


P. S.: Sobre a postagem anterior recebi um comentário raivoso de um leitor que assume uma postura niilista paralisante. Não gosta de política, não confia em políticos e não tem postura ideológica, enfim, é um desses Zés Ruela para quem nada presta e só ele tem a solução para tudo que afinal não é solução nenhuma. Estou cheio desses energúmenos que não sabem ler, são mal escolarizados e querem tirar onda de aniquiladores do mundo. Não servem para nada, não têm solução para nada.     


As fontes dos dados são: IAP, Secom da presidência, Ibope, Setec e SIAFI / MEC e CEF.

        

Um comentário:

francisco flavio r,santos disse...

Bom dia!, jair, ótimo blog.
espero que você também acesse o meu blog.
o endereço é :
http://meunomeepovoeeusouabestado.blogspot.com.br/

ainda estou começando e postando novas matérias, de 15 em 15 dias porque tenho pouco tempo para postar diariamente. bom gostei muito do seu blog , se possível dá uma lida no meu blog e deixa um comentário, desculpa algum erro , bom obrigado! tenha um ótimo final de semana.