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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

EU TENHO “INSTINTOS BESTIAIS”.

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Eu sou a Besta de Floriano. É assim que fui adjetivado pelo procurador do prefeito de Floriano em documento público entregue à justiça. Sou colérico. Bestial e colérico. Na visão do procurador o Demônio (porque no Apocalipse besta se refere ao Anti-Cristo, Demônio), a Besta colerizada habita dentro de mim. E é por causa do Demônio que faço críticas e digo que falta competência ao prefeito para administrar a cidade.
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Foi assim que o debate político, o sentido de antagonismo político se tornou coisa de Satanás nas mãos do procurador. Na ação movida contra mim o prefeito, pela boca do procurador, diz que tenho “instintos bestiais”. Inquestionavelmente uma “expressão pejorativa, degradante e maliciosa” que extravasa “sua fúria incontrolável” contra a minha palavra livre e pública “numa total demonstração de desrespeito”. (As aspas destacam exatamente as palavras usadas pelo procurador na ação).
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É bem verdade que o prefeito e seu procurador podem dizer o que quiserem de mim, mas, como eles, exijo “responsabilidade” e “critérios éticos” ao me referenciarem em documento público. Pois, assim como eles entendem que se encontram em “situação vexatória e desrespeitosa” e por isso recorreram à justiça, evidentemente, pelos mesmos motivos, também posso recorrer.
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Ao perguntarem onde está a minha ética quando provoco a inatividade da administração pública diante dos problemas da cidade, eu também pergunto onde está a ética profissional do procurador ao me adjetivar de bestial, colérico? É assim que se ensinam ética profissional nas academias de Direito? Claro que não. Mas é assim que agiu o procurador em relação à minha decisão de fazer críticas à administração pública municipal, como se alguém que tomar a atitude de ser contra ao modo dele (prefeito) se portar no executivo tenha a marca da besta na testa - 666.
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Quando laçaram mão de dizer que tenho “instintos bestiais” me colocaram, diante daqueles que acreditam existir a Besta, na perspectiva de “risco de ocorrer danos irreparáveis” à minha imagem. Concorrendo, assim, para violar “a privacidade, a honra e a imagem” da minha pessoa com “rispidez, inoportunidade e escárnio” “ferindo de morte o direito à imagem”.
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O homem público está sempre exposto à críticas acerbas ou mais brandas, mas sempre está. É próprio do jogo democrático. Negar isso é negar a democracia. Negar a democracia é ser autoritário. Quando o prefeito disse, pela boca do procurador, que as críticas que tenho feito é coisa do Demônio ele coloca aí uma questão de cunho filosófico. Mesmo sem saber.
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Que questão foi colocada? Vou parodiar ARTHUR DANTO de um modo que eu venha a ser claro: O Demônio é aquele que tenta fazer com que os outros saiam do seu lugar, deixem as suas crenças e opiniões e passem a acreditar nele. Terá sido este o sentido do uso do adjetivo “bestial”? Duvido, pois o prefeito entende tanto de Filosofia quanto de administração pública.
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Neste caso as críticas, da maneira que as faço, são para mostrar que o modo como o prefeito vem conduzindo a administração pública não está baseado em valores que, segundo o meu ponto de vista, são adequados. E só por isso tento convecê-lo. Nada mais. Se ele virá ou não para o meu ponto de vista é uma questão para a sua análise e deliberação. Partindo do princípio que nesse jogo de palavras, de pedir e dar razões (pragmatistas) não há espaço para a intolerância. Impedir que eu diga o que penso não faz parte das “redes de crenças e desejos” (D. DAVIDSON) do vocabulário democrático.
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É isso que tenho pensado sobre o factóide criado em torno de mim para desviar a atenção de problemas maiores postos em discussão não por mim, mas que terminaram culminando na oportunidade de cumprirem a promessa de me processar. Depois retomarei este tema porque preciso esclarecer a que factóide me refiro.
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P.S.: Como se comportar diante disso minha amiga RAQUEL ARAUJO? Terei problemas psicológicos mais tarde? Me ajude.
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4 comentários:

Djalma disse...

"Estão querendo tolir a capacidade dos jovens de se indignarem, isso é uma afronta a DEMOCRACIA" Deputado Garibalde 07/12/2009 sessão plenária.

Anônimo disse...

Jesus não conseguiu unanimidade, pois, Ele, Jesus, foi assassinado; já os "religiosos políticos" contemporâneos pensam em "matar" a crítica e/ou os críticos e, também, colocar uma tarja laranja-choque na boca da oposição que supostamente comunga com o satanás. A liberdade religiosa pressupõe-se que seja livre, independente de quem esteja sendo cultuado. A DEMOcracia impera do lado de lá. Viva o povo sem voz! Antonio José. Zé Doca (MA).

Raquel disse...

Meu querido amigo,
Sinto-me honrada com sua pergunta a minha pessoa no final da sua postagem , Instintos Bestiais,que fala sobre os politicos da sua cidade.
Acredito eu em primeiro lugar que os senhores que se encontram no poder , incluindo os da sua cidade claro , sao na maioria sociopatas , eles sim sofrem e sofrerao
sempre deste mal. Imagina que chegamos ao ponto de questionar se sofremos ou sofreremos de problemas psicologicos futuros. Penso que e' um legitimo questinamento pois lidar com essa corja e' tarefa ardua...Veja !! Chega-se ao absurdo de sofrer um processo por se dizer o que pensa. Isso e' o que ? Ditadura? Teocracia ? Vixe Maria !!! Espero ser eu processada tambem mas so' aceito se sair no jornal : " Cearense e' processada por politicos do Piaui " !!! Adoraria ir aos tribunais com vc , mas pergunto eu , esses senhores nao tem com que gastar dinheiro e' ? Pode ser que seja dinheiro publico nao e'? Vai saber...Espero tambem ser processada. Que loucura amigo !!! Que corja !!! E o que me deixa triste e' saber e ver nosso povo tao sofrido ter nenhuma ideia do que se passa. Finalizando , penso que vc nao tera' problemas psicologicos futuros mas frustracoes e desilusoes sim... Usar a razao atraves de suas palavras com esses senhores e' de grande ofensa para eles pois esse e' um instrumento que lhes faltam assim so' se pode partir para o tal processo. Ei vcs ai !!! Me processem tb ta' ?

JAIR FEITOSA disse...

Acrescento que Raquel Araujo é brasileira, cearense, psicóloga e mora com sua família nos E.U.A. Aí fica mais difícil, não é? Principalmente porque lá se leva muito a sério o direito das pessoas dizerem o que pensam. Acho que vou morar lá. Aqui tá brabo. Aqui tá dando não.

Obrigado Raquel, este Blogue está à sua disposição.

Um abraço.

Jair Feitosa.

Obrigado, também, ao Djalma e ao Antonio José pelos comentários.