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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

PARTIDO PARTIDO.




Na semana passada o Portal AZ publicou um texto do ex-prefeito e ex-deputado estadual pelo PMDB, BRUNO DOS SANTOS (clique AQUI), sobre a esdrúxula intervenção do diretório estadual dissolvendo o diretório municipal do partido. No texto, BRUNO DOS SANTOS demonstra o quanto irritados estão os membros do partido aqui em Floriano. Não aceitam a intervenção e defendem a autonomia do diretório municipal em decidir se o partido terá candidato próprio ou apoiará um candidato de outro partido nas eleições deste ano.

Lendo o texto citado acima podemos ir além do que está escrito e propor algumas reflexões que decorrem inevitavelmente desse ato de intromissão de competências. Não foi a primeira tentativa do diretório estadual, conforme me relatou um graduado político florianense, em dissolver diretórios municipais. Já houve quatro tentativas de fazer o mesmo em outros municípios e todas elas foram devidamente reparadas pela Justiça.

O presidente do diretório de Floriano irá a Teresina apelar junto ao conselho de ética do partido pela manutenção do atual diretório. Se não obtiver sucesso irá à Justiça para que o diretório de Floriano tenha a sua autonomia preservada das querelas impositivas que estão querendo pespegar no povo florianense. Estão querendo praticar a velha política foie gras. Ou seja, empurrar goela abaixo um nome para que seja nutrido pelo diretório.

Um nome, diga-se de passagem, que nada tem a ver com a história da cidade, com as necessidades da cidade, com os problemas da cidade, com os objetivos da cidade. Um nome que já se provou em explícita decadência política no estado, conforme demonstrou BRUNO DOS SANTOS. Um nome que até outro dia estava em cima dos palanques e trios elétricos do prefeito fazendo louvação à sua capenga administração.  Um nome que ao ser imposto contra a vontade do partido em Floriano gerou uma situação inusitada.

Há duas grandes correntes ideológicas no diretório municipal. A corrente liderada por BRUNO DOS SANTOS e a corrente que tem à frente, também, um dos fundadores do partido, GILBERTO GUERRA.

Nenhum dos filiados que se identificam com essas duas correntes, que são absolutamente majoritárias, seguem alguma orientação que não reflita as decisões dos dois grupos. Talvez exista algum que tente defender a candidatura imposta, mas ninguém sabe ainda os motivos para isso. Talvez o texto de BRUNO DOS SANTOS dê alguma dica para esse esclarecimento.

No mais, não há ninguém que apóie esse pré-candidato estrangeiro. Quem irá fazer campanha com ele no partido e no palanque? É candidato do eu sozinho? A quem interessa essa situação? A quem interessa a divisão dos votos na próxima eleição?

Como disse BRUNO DOS SANTOS, o presidente do diretório estadual do PMDB irá apoiar e fazer campanha para o candidato do prefeito, que aqui em Floriano é do PTB. Atende a que reais propósitos essa intervenção para poder lançar um candidato que será apenas para tentar dividir os votos? Fica incompreensível do ponto de vista da coerência alegada pelo diretório estadual do PMDB – motivo alegado para intervenção e dissolução – uma candidatura que é para ser, mas que não serve aos objetivos do partido?

Então, no frigir dos ovos, vejo a coisa dessa forma: nas eleições municipais das duas últimas décadas quem esteve no poder sempre manteve um percentual que variou muito pouco entre 27% e 32% dos votos. O atual prefeito mantém esse índice para tentar eleger seu sucessor.

Se a oposição se dividir e lançar inúmeros candidatos, então será melhor para o grupo do prefeito que tendo o seu percentual garantido - não em virtude de alguma qualidade sua ou de sua administração, mas do uso do aparato político e eleitoral de quem está no poder direcionado para seu candidato - procurará, de todas as formas, dividir os votos da maioria dos eleitores, que votarão certamente com a oposição. Se o candidato imposto não quer fazer parte da oposição unida para derrotar o candidato do prefeito, desse modo, ele vai cumprir o papel que lhe cabe nessa eleição.

Mas gosto de remar contra a maré e, com isso, antevejo, como resultado desse imbróglio todo, uma situação curiosa na disputa dessa eleição. Para valer mesmo teremos apenas dois candidatos. Um candidato da oposição e o candidato do pior prefeito da história de Floriano. Como isso é possível?

O presidente do diretório municipal do PMDB, CÉSAR PEDROSA, vai recorrer à Justiça, como disse acima, para revogar a intervenção estadual, então o candidato imposto terá a sua pretendida candidatura questionada na Justiça. Será, desse jeito, um candidato sub judice. E como já ocorreu com outras quatro tentativas de intervenções, a Justiça deu ganho de causa aos diretórios municipais. No final, a pré-candidatura imposta não terá a sua validade confirmada. A depender da coerência da Justiça.

Outro pretenso pré-candidato, que seria oportunistamente contra o candidato do prefeito mais incompetente que essa cidade já teve, foi notificado pela promotoria de justiça em decorrência de indícios de propaganda eleitoral antecipada. Inclusive poderá, assim, ser processado.

Diante desse cenário previsível só resta ao prefeito mais vaiado da história de Floriano recorrer a mais um artifício para tentar dividir os votos dos eleitores que em esmagadora maioria (70%) avaliam a sua administração como regular e ruim, ou seja, medíocre, segundo última pesquisa do Instituto Data AZ.

P. S.: Para entender melhor tudo o que foi dito acima seria o ideal uma leitura do texto citado de BRUNO DOS SANTOS que faz revelações escabrosas, horríveis, condenáveis daquilo que, segundo o autor, seriam as práticas políticas do suposto candidato do presidente do diretório estadual do PMDB, e outro texto explicativo do jornalista JALINSON RODRIGUES (clique AQUI) sobre o mesmo tema.


Um comentário:

Chico Mário Feitosa disse...

Mais aí é que tá... Essa tem sido uma prática comum aqui no Piauí. É só lembrar da dissolução do PSB-Floriano pelo entao candidato a governador, renegando toda uma história de luta e conquistas do partido para a cidade, encabeçada por Gilmar Duarte. As manobras sempre acontecem pra favorecer um ou outro. É uma pena, antidemocrático, sujo, mas é assim. To pagando pra ver essa tua projeção Jair. To achando mais fácil acontecer um racha nos votos da oposição, privilegiando a situação. Do fundo do coração, espero que não, mas o cenário parece estar se moldando pra isso.